Governo considera Economia Azul instrumento de diversificação da economia e inclusão social

O Governo angolano assume a Economia Azul como um instrumento estratégico para a diversificação económica, inclusão social, segurança alimentar e criação de emprego digno para os jovens.
A afirmação foi feita ontem, em Luanda, pela Vice-Presidente da República, Esperança da Costa, ao abrir oficialmente as sessões de alto nível da 3.ª edição da Semana Africana da Economia Azul (Africa Blue Economy Week 2026), em representação do Chefe de Estado, João Lourenço. De acordo com a governante, este modelo está alinhado com o Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN) 2023-2027, que prioriza o aumento da produção local, o fortalecimento do capital humano, o reforço do sector privado e a modernização das infra-estruturas. Esperança da Costa ressaltou que o uso sustentável dos recursos oceânicos valoriza as comunidades costeiras, enfatizando que o mar e as águas interiores são patrimónios a proteger e a regenerar, e não apenas recursos a explorar. A Vice-Presidente sublinhou que a pesca marítima, a aquicultura e a agricultura sustentável têm o potencial de reforçar a segurança alimentar, reduzir importações e gerar empregos em cadeia. “A Economia Azul deve ser uma ponte entre territórios, uma via de circulação de alimentos, energia, serviços, tecnologia, conhecimento e cultura”, declarou. Na sua visão, o fortalecimento de sectores como portos, logística e transportes marítimos pode elevar a competitividade africana através da industrialização, do processamento local e da certificação do capital humano, superando o modelo de mera exportação de matérias-primas. Integração económicaSegundo a Vice-Presidente da República, a integração económica africana é decisiva, uma vez que a Zona de Comércio Livre Continental Africana (AfCFTA) oferece a oportunidade de expandir o comércio intra-africano, sobretudo de bens e “serviços azuis”, aproximando os Estados-membros ribeirinhos, insulares e encravados. Esperança da Costa frisou que a localização geográfica de Angola, num ponto estratégico do Corredor do Atlântico Sul, confere ao país a responsabilidade acrescida de ligar a África Austral e Central, o Golfo da Guiné e os mercados globais, contribuindo para um continente mais integrado, competitivo e seguro. Nesse sentido, Angola assume o compromisso de proteger a base ecológica da prosperidade. “Não haverá Economia Azul se os mares forem degradados, se a poluição avançar e se a pesca ilegal, não declarada e não regulamentada continuar a retirar o valor aos povos africanos”, alertou. A governante referiu que, neste contexto, combater a pesca ilegal, reduzir a poluição, restaurar ecossistemas e reforçar a vigilância marítima são decisões cruciais para a economia, o ambiente e a segurança de todos os países do continente. Declaração de LuandaA “Declaração de Luanda”, ressaltou Esperança da Costa, deve afirmar a urgência de implementar sistemas robustos de contabilidade de dados azuis. Esse mapeamento estatístico e científico é visto como uma condição fundamental para mensurar com precisão os impactos ambientais e, sobretudo, para atrair investimento privado internacional. Paralelamente, as mesas-redondas ministeriais desta 3.ª edição da Africa Blue Economy Week 2026 devem focar-se em debates cruciais, como a transição dos compromissos políticos para a execução prática, mecanismos de financiamento sustentável e a promoção de uma liderança inclusiva voltada para a geração de empregos. “Os debates devem produzir contributos substantivos para a Declaração de Luanda, que constitui o instrumento político determinante desta semana africana. O continente necessita urgentemente de mecanismos nacionais e regionais de financiamento duradouro”, destacou a governante. No que toca à inclusão, a Vice-Presidente reiterou que a emancipação de mulheres e jovens deve estar no centro desta transformação, rejeitando que estes grupos sejam colocados como beneficiários periféricos. “Eles devem estar na governação, no acesso ao financiamento, na produção científica, no empreendedorismo, nas cadeias de valor e na inovação tecnológica”, defendeu. Esperança da Costa advogou ainda o aprofundamento da cooperação Sul-Sul e triangular, lembrando que África possui conhecimento, experiências e soluções próprias para resolver os seus desafios internos. A expectativa é que as conclusões deste fórum resultem num documento político que funcione como um verdadeiro ponto de viragem continental. Este instrumento terá a missão de alinhar as prioridades regionais, acelerar a Estratégia Integrada da Economia Azul Africana, mobilizar fundos globais e transformar o sector num pilar efectivo da Agenda 2063 da União Africana. O evento, que encerra hoje, decorre sob o lema “Da Estratégia à Acção: Liderança Política para a Transformação da Economia Azul em África”. Na sessão de abertura, foram apresentadas declarações oficiais de apoio da SADC, do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), da União Europeia e da Embaixada da Noruega em Angola, reafirmando o compromisso global com a agenda marítima do continente. Secretária executiva da SADC destaca importância estratégica A secretária executiva adjunta para a Integração Regional da SADC, Angéle Makombo N’Tumba, destacou a importância estratégica da Economia Azul para o crescimento e desenvolvimento sustentável do continente, alinhada com a Agenda 2063 da União Africana. Ao intervir, ontem, em Luanda, na abertura oficial das sessões de alto nível da 3.ª edição da Semana Africana da Economia Azul (Africa Blue Economy Week 2026), que encerra hoje, a responsável explicou que o conceito envolve a utilização responsável de oceanos, mares, lagos e rios para gerar empregos, melhorar meios de subsistência e promover o crescimento inclusivo. Na ocasião, a dirigente enalteceu os esforços da comunidade regional e reconheceu o apoio vital de parceiros de desenvolvimento, nomeadamente o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD). O organismo desempenhou um papel crucial no avanço de iniciativas estruturantes, como o Programa para Melhorar a Governança da Pesca e os Corredores Comerciais na Região Austral, beneficiando mais de 3,3 milhões de pessoas. Contudo, Angéle N'Tumba apontou desafios prementes no sector, incluindo infra-estruturas inadequadas, acesso limitado a financiamento e tecnologia, os impactos das alterações climáticas e os usos concorrentes dos recursos aquáticos. Políticas eficazes A representante da SADC apelou às partes interessadas a implementarem políticas eficazes, a investirem em infra-estruturas, fomentar parcerias público-privadas e impulsionarem a inovação para acelerar o desenvolvimento do sector. A responsável apontou a vontade política e o compromisso inabalável como elementos essenciais para traduzir as estratégias da Economia Azul em resultados tangíveis e duradouros. O evento, organizado pelo Governo de Angola com o apoio da União Africana, reuniu mais de 300 líderes de alto nível, decisores políticos e partes interessadas empenhados no avanço do desenvolvimento sustentável dos recursos marinhos e aquáticos de África.


