O pré-candidato à presidência do MPLA, Higino Carneiro, reafirmou esta terça-feira, 22, em Luanda, que vai prosseguir a sua luta pela liderança do partido, apesar do chumbo da sua candidatura pela Subcomissão de Candidaturas do IX Congresso Ordinário.
Durante uma conferência de imprensa realizada para abordar o processo da sua pré-candidatura, Higino Carneiro disse que mantém os mesmos objectivos e que continuará a recorrer aos mecanismos internos do partido para defender a sua posição.
“A minha verticalidade” é uma das razões que, segundo afirmou, o encorajam a prosseguir. “Coerência não faz mal a ninguém”, declarou.
O político sustentou que a sua candidatura não resulta de uma ambição pessoal por um cargo, mas da convicção de que, pela história que tem no MPLA, tem o direito de contribuir para o futuro da organização.
“Não estou a fazer uma luta por uma questão pessoal porque eu estou à procura de um cargo. Eu também podia ficar tranquilo com a minha família. Mas acho, pela história que eu tenho dentro do partido, que cabe-me o direito de fazer alguma coisa pelo partido”, afirmou.
Higino Carneiro defendeu que pretende apresentar ideias diferentes para o MPLA e introduzi-las na estrutura do partido caso consiga chegar à liderança.
“Eu penso que podemos ir mais além. E há outras formas, daí que eu diga que eu tenho ideias diferentes e que as quero introduzir dentro da estrutura quando lá estiver”, afirmou.
O antigo general garantiu, por isso, que os seus objectivos permanecem inalterados.
“Prosseguirei sempre. Os meus objetivos são os mesmos, não os mudei. Eu acredito que é possível. Juntos é possível”, declarou.
A posição surge depois de a Subcomissão de Candidaturas ter considerado nulo o processo de Higino Carneiro, em Julho, alegando irregularidades na documentação e nas fichas de subscrição. O órgão informou ter contabilizado 14.493 fichas, das quais 2.561 foram consideradas válidas, 9.659 não válidas e 2.273 falsas.
Higino Carneiro contestou a decisão e recorreu ao Tribunal Constitucional. No Acórdão n.º 1137/2026, o Tribunal apreciou a providência cautelar apresentada pelo político contra a decisão partidária, num processo que também envolve os mecanismos internos de reclamação e recurso previstos nos Estatutos do MPLA.
Na conferência desta terça-feira, Higino Carneiro voltou a defender que a disputa pela liderança não deve resultar numa divisão interna.
“Nós somos, sim, adversários políticos. Temos ideias, temos formas de ver e de pensar diferentes. Mas isso não nos torna cidadãos diferentes do mesmo país”, afirmou.
O político disse estar disponível para dialogar com qualquer militante e defendeu que as diferenças políticas não devem transformar os membros do mesmo partido em inimigos.
“Não me envolvi nesta luta pela liderança do partido para dividir, não. É para somar”, declarou.
Higino Carneiro recordou ainda o período de guerra civil em Angola, durante o qual, segundo afirmou, pessoas das mesmas famílias e comunidades acabaram em lados opostos do conflito. Para o político, a experiência histórica do país deve reforçar a necessidade de diálogo e coesão.
“Hoje estamos preparados naturalmente para dialogar e compreender o pensamento de cada um”, afirmou.
O pré-candidato revelou também que está disponível para “dialogar, discutir, para me sentar, para festejar, para almoçar” com quem quer que seja, desde que isso contribua para a unidade e coesão do MPLA.
Sobre a relação com o Presidente João Lourenço, Higino Carneiro disse que a última conversa entre ambos ocorreu a 2 de Junho do ano passado e que, desde então, não voltaram a falar.
O político afirmou, entretanto, que tem recorrido às instituições partidárias para fazer chegar as suas comunicações e considerou que a questão deve ser tratada dentro das estruturas criadas pelo próprio Comité Central.
“Quem é mais forte também deve ser magnânimo”, afirmou.
Higino Carneiro disse ainda contar com uma base de apoio significativa, lembrando que a sua candidatura chegou a reunir mais de 20 mil fichas de subscrição.
“Não se entra para um campo de jogos sem adeptos. Nós temos uma falange grande de apoio”, declarou.
O IX Congresso Ordinário do MPLA está previsto para os dias 9 e 10 de Dezembro de 2026, em Luanda.




