Índice Ibrahim: Angola entre os países que mais melhoraram no combate à corrupção em África

Angola figura entre os países africanos que registaram os maiores avanços nos esforços contra a corrupção entre 2016 e 2025, de acordo com a análise preliminar do Índice Ibrahim de Governação Africana (IIAG) 2026. Apesar dos progressos assinaláveis a nível nacional, o relatório revela que o combate à corrupção no continente permanece altamente desigual, com mais de metade da população africana a viver em países onde a situação piorou na última década.
O documento indica que, embora se tenha verificado uma ligeira melhoria geral de 0,5 pontos na média continental, o percurso foi marcado por grande instabilidade. Após um acentuado declínio registado entre os anos de 2018 e 2020, a tendência inverteu-se, dando lugar a uma recuperação contínua a partir de 2020. Em 2025, os dados apontam que a luta contra a corrupção melhorou para 41,2% da população africana, tendo, no entanto, registado retrocessos para os restantes 58,8%.
No topo da lista dos países com melhor desempenho destaca-se o arquipélago das Seicheles, que obteve o maior crescimento do período com um ganho de 26,3 pontos, liderando a classificação de 2025 juntamente com o Ruanda. No extremo oposto, as Comores registaram a maior deterioração do continente, com uma perda de 14,0 pontos, enquanto o Sudão do Sul se mantém como o país com a pior pontuação na vertente da integridade pública.
A nível das Comunidades Económicas Regionais, a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), organização na qual Angola se integra, lidera as pontuações médias de anticorrupção no continente. Em contrapartida, a Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento (IGAD) ocupa a última posição. O relatório salienta ainda melhorias notáveis nas regiões da União do Magrebe Árabe (UMA) e da Comunidade Económica dos Estados da África Central (ECCAS).
No sector empresarial, o indicador relativo à Ausência de Corrupção foi o que registou o aumento mais expressivo na última década, sinalizando melhorias no ambiente de negócios para os investidores. Contudo, a percepção pública sobre a corrupção continua a ser um desafio complexo. Após uma queda acentuada de 4,0 pontos, a confiança dos cidadãos iniciou uma trajectória de recuperação apenas em 2022, evidenciando a necessidade de maior transparência e comunicação sobre as reformas implementadas.
O relatório analisa também a situação nos países do chamado “Cinturão dos Golpes”, onde a corrupção tendeu a agravar-se após as recentes rupturas constitucionais. As excepções a esta tendência foram registadas no Mali e em Burkina Faso. No Mali, a percepção pública sobre o combate à corrupção registou uma melhoria assinalável de 45,4 pontos após o golpe militar, ao passo que o Burkina Faso verificou progressos localizados após os acontecimentos de 2022.



