A cerca de um ano das eleições gerais em Angola, a tensão política está a subir na província do Cubango. Oposição e sociedade civil denunciam casos de agressões, detenções e até o impedimento de atividades partidárias.
A cerca de um ano das eleições gerais, são frequentes os relatos de agressões, roubo de bandeiras partidárias, bloqueios à realização de atividades políticas e detenções na província angolana do Cubango.
Ainda em junho passado, o secretário municipal do PRA-JA Servir Angola no município do Cuangar, Domingos Cambinda Chinhinga, esteve mais de 72 horas na prisão. Segundo o partido, Chinhinga foi detido por realizar um trabalho de mobilização política na região.
"Há muita ameaça ao povo, há muita ameaça às entidades tradicionais, aos regedores e sobas, tanto que estamos a desafiar e a lutar contra as atrocidades, porque são eles que violam a lei e não nós. Até para hastear uma bandeira numa comunidade os sobas têm estrita orientação de que o PRA-JA não pode hastear as suas bandeiras", alerta Amândio Capoco, secretário provincial do PRA-JA no Cubango.
Por vezes, a intolerância política vem em ondas, refere o secretário provincial da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) no Cubango, Joaquim Sapondo. Há alturas pior do que outras.
O dirigente do maior partido da oposição em Angola conta que uma dessas alturas foi no final de junho/início de julho, nos municípios de Calai, Longa, Cutato e Cuangar.
De quem é a culpa?
Sapondo diz que tudo começou a 30 de junho, com a detenção de um membro da UNITA, alegadamente porque teria usado o fardamento das Forças Armadas Angolanas.
A 3 de julho, "a comitiva do secretário provincial do partido [UNITA] que havia se deslocado ao município do Longa com a finalidade de apresentar às autoridades administrativas o secretário nomeado para aquele município, foi alvo de apedrejamento em frente à administração municipal, que causou a destruição total do vidro lateral da viatura", relata.
Segundo o secretário provincial da UNITA, "ainda no mesmo dia 3 de julho, o secretário comunal do partido no Vissati, município do Cutato, viu a sua residência e a dos seus parentes serem destruídas".
Joaquim Sapondo culpa a polícia angolana e o partido no poder, o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), pelo agravamento da situação no Cubango. Tanto a polícia, como o comité provincial do MPLA não responderam aos pedidos da DW para reagirem às acusações.
A população pede o fim de episódios como estes na província. A democracia é feita do debate de ideias, não do roubo de bandeiras, comenta o professor Cruz de Deus.
"É preciso instruir os militantes de todos os partidos que o país está acima de tudo. Esta coisa de guerrear por causa de uma bandeira, por causa de um comité, por causa de um espaço, isso já devia ter sido ultrapassado volvidos cinquenta anos de independência e quase três décadas do Estado de Direito democrático", defende o professor.
As eleições gerais do próximo ano são uma oportunidade para demonstrar isso mesmo, conclui Cruz de Deus.




