El Alamein (Do enviado especial) – O Presidente da República e do Comité de Orientação de Chefes de Estado e de Governo da AUDA-NEPAD, João Lourenço, defendeu, este domingo, no Egipto, a mobilização do capital público, privado e institucional próprio e orientá-lo para prioridades continentais.
El Alamein (Do enviado especial) – O Presidente da República e do Comité de Orientação de Chefes de Estado e de Governo da AUDA-NEPAD, João Lourenço, defendeu, este domingo, no Egipto, a mobilização do capital público, privado e institucional próprio e orientá-lo para prioridades continentais.
**“**Temos cada vez mais consciência de que o nosso continente não pode alcançar as suas ambições de desenvolvimento, permanecendo excessivamente dependente do financiamento externo”, afirmou.
João Lourenço apresentava oRelatório sobre as Contribuições da AUDA-NEPAD para o Aprofundamento da Integração Regional, na 8ª Reunião de Coordenação Semestral entre a União Africana (UA), as Comunidades Económicas Regionais (CER) e os Mecanismos Regionais (MR), em El Alamein, Egipto.
Frisou que a Cimeira de Luanda sobre o Financiamento para o Desenvolvimento de Infra-estruturas em África demonstrou que é possível passar do diálogo para projectos concretos, estruturados e susceptíveis de obter financiamento para que possam ser concretizados.
A Cimeira conseguiu arrecadar 43,9 mil milhões de dólares para a construção, melhoramento e operacionalização de infra-estruturas regionais nos sectores dos transportes, energia, água e infra-estruturas digitais, vincou.
Segundo o estadista, as instituições financeiras africanas estão também a assumir um papel cada vez mais relevante, pois a Aliança das Instituições Financeiras Multilaterais Africanas, AAMFI, comprometeu 1,5 mil milhões de dólares, incluindo 100 milhões de dólares para a preparação de projectos.
“Devemos referir, igualmente, que a Plataforma de Garantia de Infra-estruturas pretende atingir os 10 mil milhões de dólares até 2030, com o objectivo de aumentar a participação do sector privado de 10 para 25%”, assinalou.
Acrescentou que isso tem como propósito proteger os investidores dos riscos existentes quando pretendam colocar o seu capital ao serviço do desenvolvimento de infra-estruturas no nosso continente.
Neste mesmo âmbito, foi ainda mobilizado financiamento adicional por via da empresa CATA Energy, que comprometeu USD 500 milhões em co-investimento e lançado o Mecanismo de Financiamento de Exportação e Comércio de Angola no valor de USD 1 mil milhões, em parceria com a Trade and Development Bank TDB e o Fundo Soberano de Angola FSDEA, frisou.
De acordo com o Presidente, acresce a tudo isso outros fundos de que sobressaem activos do Fundo de Pensões num valor superior a 54 mil milhões de dólares, que foram igualmente mobilizados através da “Agenda dos 5% da AUDA-NEPAD”.
Declarou que este facto demonstra ainda mais o potencial do capital institucional africano para contribuir para o desenvolvimento das infra-estruturas do continente.
Para João Lourenço, outro aspecto de destaque no relatório tem a ver com o facto de estarem a ser feitos progressos para transformar a Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA) em oportunidades económicas concretas.
Através da Iniciativa Equipa África Africa Team, a AUDA-NEPAD trabalhou com as oito CER e outras instituições continentais e consolidou uma carteira coordenada de investimentos com mais de 300 projectos regionais, avaliados em aproximadamente 500 mil milhões de dólares americanos, referiu.
Para o Presidente do Comité de Orientação de Chefes de Estado e de Governo da AUDA-NEPAD, “ decorrem acções de grande vulto no âmbito da ZCLCA, que é, na verdade, a plataforma de integração económica e impulsionadora do desenvolvimento do nosso continente”.
Considerou que devem merecer realce os programas que a AUDA-NEPAD continua a promover nas áreas da educação, competências, saúde, juventude e empoderamento das mulheres.
Deu a conhecer que a Iniciativa Competências para África, avaliada em mais de 100 milhões de euros, continua a implementar 48 projectos de competências em oito países.
“Com estes projectos, acredito que conseguiremos reduzir ou mesmo eliminar o desfasamento existente entre as aptidões que os nossos jovens possuem e as competências de que as economias e as empresas africanas necessitam”, afirmou.
Assim considerou ser possível transformar a vantagem de África ter uma população muito jovem num factor de crescimento económico das sociedades do continente.
“Além da iniciativa referida anteriormente, quero mencionar que foi igualmente lançado o projecto Criação de Oportunidades para Jovens e Mulheres em África, alargando o empoderamento dos jovens e das mulheres na COMESA, EAC, CEDEAO, SADC e CEEAC”, salientou
Na mesma senda, anunciou que foi criado o Fórum Africano de Reguladores do EFTP (Ensino e Formação Técnico-Profissional) e prosseguiram os trabalhos para regular, supervisionar, acreditar e assegurar a qualidade dos sistemas nacionais de formação técnico-profissional, bem como promover o reconhecimento transfronteiriço das qualificações.
“É importante referir que estes esforços são essenciais porque a nossa agenda de integração só terá êxito se criarmos as oportunidades para os jovens e dotarmos os nossos cidadãos dos conhecimentos necessários para participarem plenamente no desenvolvimento do continente”, sentenciou. ADR/ART




