Nova Iorque (Do enviado especial) – O Presidente angolano, João Lourenço, chegou este domingo a Nova Iorque, Estados Unidos da América, para participar na 81.ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, em que vai discursar terça-feira, primeiro dia dos trabalhos.
Nova Iorque (Do enviado especial) – O Presidente angolano, João Lourenço, chegou este domingo a Nova Iorque, Estados Unidos da América, para participar na 81.ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, em que vai discursar terça-feira, primeiro dia dos trabalhos.
A Semana de Alto Nível da 81.ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas vai decorrer de 22 a 28 de este mês sob o tema “Restaurar a confiança, gerir a transformação: Uma Organização das Nações Unidas que produz resultados para todos”.
Durante a sua permanência em Nova Iorque, o Chefe de Estado angolano terá uma intensa agenda diplomática, com contactos com personalidades da política, diplomacia, economia, ciência e de outros sectores de interesse para Angola.
Em recente entrevista exclusiva à ANGOP, o ministro das Relações Exteriores, Téte António, disse que Angola vai reafirmar na 81.ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas a defesa da solução pacífica dos conflitos, do diálogo e da mediação, com base na sua experiência na promoção da paz e da estabilidade em África.
Acrescentou que e num contexto internacional marcado por conflitos, crescente tensão geopolítica, dificuldades económicas e pela necessidade de recuperar a confiança no multilateralismo, Angola tem como principais pontos na sua agenda a paz e segurança internacional e a reforma do sistema muiltilateral.
Salientou que outros temas na prioridade do país são a defesa dos interesses e das prioridades de África, a implementação do Pacto para o Futuro e dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável e o reforço do papel de Angola na diplomacia internacional, de acordo com o ministro.
Frisou que o momento actual exige que Angola tenha uma política externa cada vez mais proactiva e não apenas reactiva.
“A experiência histórica do nosso país dá-nos uma autoridade particular para falar sobre paz, diálogo, mediação e resolução de conflitos. Mas essa experiência deve ser transformada em influência diplomática concreta, sobretudo num sistema internacional que atravessa uma fase de profunda tranformação”, defende.
Neste contexto, destacou três prioridades, sendo a primeira “defender firmemente o multilateralismo, ´uma vez que´, mesmo com as suas imperfeições, as Nações Unidas continuam a ser o espaço mais abrangente para procurar soluções colectivas”, advogando, por isso, que o caminho não deve ser abandonar o sistema, mas reformá-lo para que seja mais representativo, democrático e eficaz.
Apontou como segunda prioridade o reforço da voz de África relatimanente à reforma do Conselho de Segurança, ao financiamento do desenvolvimento, à questão da dívida, às alterações climáticas e à segurança alimentar, temas nos quais considera que os países africanos precisam de actuar com maior unidade.
A terceira prioridade é transformar a diplomacia em resultados, frisando que uma boa política externa não se mede apenas pelo número de discursos ou reuniões realizadas, mas pela capacidade de criar entendimentos, atrair investimentos, promover a paz, defender os interesses nacionais e produzir benefícios concretos para as populações.
“Angola deve acreditar mais na sua capacidade de intervenção diplomática. Somos um país que conhece profundamente os custos da guerra e o valor da paz. Temos, por isso, uma experiência que pode ser útil não apenas para nós, mas para outros países que procuram superar conflitos”, afirma Téte António.
Sublinhou que num mundo cada vez mais dividido, Angola deve procurar ser parte das pontes e não das fracturas, garantindo que o país pode contribuir para a unidade dos Estados africanos, para evitar que as suas posições sejam fragmentadas por interesses circunstanciais.
A 81.ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, oficialmente aberta no dia 8 deste mês, é presidida pelo embaixador Khalilur Rahman, representante permanente do Bangladesh junto das Nações Unidas, eleito em Junho deste ano com base no princípio da rotatividade geográfica entre os grupos regionais da ONU para um mandato de um ano, iniciado este mês.
A Assembleia Geral das Nações Unidas é o principal órgão deliberativo, representativo e normativo da ONU, e reúne os 193 Estados-Membros para debater as principais questões da agenda internacional e adoptar orientações políticas sobre matérias relacionadas com a manutenção da paz e segurança internacionais.
Analisa também o desenvolvimento sustentável, a promoção e protecção dos direitos humanos, o direito internacional, a cooperação económica internacional, a acção climática, a assistência humanitária e o fortalecimento do sistema multilateral.
A Carta das Nações Unidas confere competências à Assembleia Geral que lhe perimtem desempenhar um papel central na definição das prioridades da organização, na promoção do diálogo político entre os Estados-Membros e na adopção de resoluções e declarações que orientam a cooperação internacional e a acção dos órgãos, agências, fundos e programas do sistema da ONU.
A Sessão da Assembleia Geral tem como principal segmento político a Semana de Alto Nível, que reúne anualmente Chefes de Estado e de Governo, ministros das Relações Exteriores ou dos dos Negócios Estrangeiros, representantes de organizações internacionais, de instituições financeiras internacionais e de outros sectores da sociedade internacional.
À margem do Debate Geral, a sessão inclui reuniões de Alto Nível para assinalar o 40.º aniversário da adopção da Declaração sobre o Direito ao Desenvolvimento, sobre a Elevação do Nível do Mar, sobre o 25.º Aniversário da Declaração e Programa de Acção de Durban (DDPA) e sobre a Comemoração e Promoção do Dia Internacional para a Eliminação Total das Armas Nucleares.SR/ART




