Kinshasa (Do enviado especial) – O Presidente da República, João Lourenço, afirmou, esta quarta-feira, em Kinshasa, que assinatura do Acordo de Reabilitação, Modernização e Exploração da Linha Férrea no território da RDC vai permitir a operacionalização plena do Corredor do Lobito, nos próximos anos.
Kinshasa (Do enviado especial) – O Presidente da República, João Lourenço, afirmou, esta quarta-feira, em Kinshasa, que assinatura do Acordo de Reabilitação, Modernização e Exploração da Linha Férrea no território da RDC vai permitir a operacionalização plena do Corredor do Lobito, nos próximos anos.
O Chefe de Estado falava na conferência de imprensa conjunta com o homólogo da RDC, Félix Tshisekedi, após testemunhar a assinatura dos contratos relativos à componente congolesa da linha férrea do Caminho-de-Ferro de Benguela, principal infra-estrutura do Corredor do Lobito.
João Lourenço considerou o Corredor do Lobito um projecto transnacional, de interesse para Angola, RDC e Zâmbia, mas também para o continente africano e a economia mundial.
Segundo o Presidente da República, o projecto encontrava-se limitado pela falta dos contratos que permitissem a exploração da linha férrea no território congolês.
“Viemos falando dele há cerca de dois anos, mas ele estava amputado pela falta da assinatura desses contratos”, afirmou.
Com a assinatura dos instrumentos jurídicos, acrescentou, ficam criadas as condições para a exploração, em toda a sua extensão, da linha férrea que integra o Corredor do Lobito.
João Lourenço manifestou confiança de que o novo quadro contratual permitirá viabilizar o corredor nos próximos anos, reforçando a ligação entre os países da região e facilitando a circulação de pessoas e mercadorias.
O Corredor do Lobito liga o Porto do Lobito, no litoral angolano, às regiões mineiras da RDC e da Zâmbia, e constitui uma das principais apostas de integração económica e desenvolvimento de infra-estruturas na África Austral.
A rota liga a Costa Atlântica do Lobito à cidade fronteiriça do Luau, na parte oriental do país, atravessando cinco províncias (Benguela, Huambo, Bié, Moxico e Moxico Leste).
Com as suas fronteiras nacionais e internacionais, o traçado tem um impacto estruturante em todo o espaço da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) e afirma-se como um dos principais eixos de circulação de mercadorias.
Um projecto estratégico para a dinamização das potencialidades da diversificação económica nacional, o Corredor do Lobito liga 40% da população do país, potenciando investimentos de grande envergadura na agricultura e comércio.
As cinco províncias atravessadas pelo Corredor desempenham um papel fundamental para o desenvolvimento agrícola, com cadeias de valor em cerais como milho, soja, trigo e arroz, para além de tubérculos, feijão, legumes e frutas.
Por conseguinte, é a principal rota alternativa para os mercados de exportação de países como a RDC e a Zâmbia, pois oferece uma rota mais curta para as principais regiões mineiras dos dois países encravados.
De igual modo, tem-se revelado particularmente importante na conjugação de interesses económicos, entre países africanos, no âmbito da construção da Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA), e pode potenciar a transformação local de recursos naturais e agregar valor à economia.IZ/ART




