O Presidente da República considerou, ontem, em Kinshasa, a assinatura dos acordos entre o Estado congolês e a Mota-Engil África um passo importante para o engajamento da República Democrática do Congo (RDC) no desenvolvimento do Corredor do Lobito e para a viabilização das exportações ao longo de toda a sua extensão.
João Lourenço, que se deslocou à capital congolesa para testemunhar a assinatura dos instrumentos jurídicos, afirmou que a inexistência destes contratos constituía um constrangimento ao pleno funcionamento da infra-estrutura.
O Estadista angolano ressaltou que o Corredor do Lobito é um grande projecto transnacional, que ultrapassa os interesses de Angola e da RDC, assumindo uma dimensão continental e uma importância crescente para a economia global.
“Acreditamos que, a partir da assinatura destes contratos, que teve lugar esta tarde aqui, na cidade de Kinshasa, poderemos ver viabilizado o Corredor do Lobito nos próximos anos”, afirmou João Lourenço em declarações à imprensa.
Os acordos, assinados no Palácio Presidencial da RDC, abrem à República Democrática do Congo uma nova alternativa para o escoamento dos seus minerais para os mercados internacionais através do Corredor do Lobito.
Os instrumentos jurídicos, cuja assinatura foi testemunhada pelos Presidentes Félix Tshisekedi, da RDC, e João Lourenço, de Angola, deverão contribuir para a redução dos custos logísticos e do tempo de transporte, bem como para o reforço da integração económica entre Angola, a RDC e a Zâmbia.
A RDC, um dos maiores produtores mundiais de cobre e cobalto, depende de extensas ligações terrestres para colocar os seus minerais nos mercados internacionais. Grande parte da produção das regiões mineiras do Sul é actualmente transportada por via de países vizinhos, sobretudo pela Zâmbia, com destino aos portos de Durban, na África do Sul, Dar es Salaam, na Tanzânia, Beira, em Moçambique, e Walvis Bay, na Namíbia.
Ao passar a dispor de uma ligação alternativa no Oceano Atlântico, a RDC reduz a dependência de corredores específicos e ganha maior margem de manobra perante congestionamentos, constrangimentos fronteiriços e perturbações nas cadeias logísticas regionais.
Os termos do acordo
O acordo abrange a ligação ferroviária Dilolo–Kolwezi–Lubumbashi–Sakania, frequentemente designada, de forma abreviada, como eixo Dilolo–Sakania.
A linha tem uma extensão de 1.004,5 quilómetros e liga a fronteira com Angola, em Dilolo, às regiões mineiras do Sul da RDC e à fronteira com a Zâmbia, em Sakania.
O investimento global está estimado em 1,258 mil milhões de dólares norte-americanos.Nos termos do acordo, a Mota-Engil África deverá assegurar a reabilitação integral e a modernização da linha ferroviária, incluindo o aumento da capacidade de transporte e da eficiência operacional.
O objectivo passa pela transformação da infra-estrutura numa ligação moderna, capaz de responder ao crescente volume de carga, particularmente dos sectores Mineiro e Industrial.
Durante o período contratual, a Mota-Engil África será responsável pela manutenção da infra-estrutura, num modelo que combina investimento, modernização, operação e conservação.
Um dos aspectos mais relevantes da parceria é a previsão da transferência final da infra-estrutura para o Estado congolês.
“Estamos a inaugurar uma nova era nas relações entre os nossos países”
Antes de testemunharem a assinatura dos acordos, João Lourenço e Félix Tshisekedi mantiveram um encontro privado, durante o qual avaliaram o estado das relações bilaterais e perspectivaram o seu reforço em sectores de interesse comum.
Ao abordar esta vertente, o Presidente da República destacou os avanços registados na cooperação entre os dois países nos domínios da energia e do petróleo, bem como em várias áreas do sector privado.
João Lourenço disse perspectivar um aumento significativo do volume da cooperação económica e das trocas comerciais entre Angola e a RDC.
“Portanto, numa palavra, nós estamos a inaugurar uma nova era nas relações entre os nossos dois países e pensamos que isto é apenas o início e que o volume de cooperação económica e de trocas comerciais, com o andar do tempo, vai crescer bastante, em benefício de ambos os povos e de ambas as economias”, destacou.
O Presidente da República agradeceu, ainda, ao homólogo congolês pelo engajamento pessoal no processo de fortalecimento das relações entre os dois países.
“Só temos que agradecer, mais uma vez, ao Presidente Félix Tshisekedi que, tal como nós, considerou anormal a situação que se vivia até relativamente pouco tempo. E costuma-se dizer: antes tarde do que nunca. Hoje, ainda vamos a tempo de corrigir e estamos a fazê-lo”, frisou o Presidente da República.




