O Presidente da República, João Lourenço, defendeu que a prosperidade económica e a integração regional apenas serão possíveis se África possuir "uma arquitectura de governação e uma arquitectura de paz e segurança africanas fortes e eficazes".
Ao intervir, este Domingo, no espaço reservado aos campeões africanos de diferentes temáticas na 21.ª Cimeira Extraordinária da União Africana, decorrida em Luanda, o chefe de Estado, também Campeão da União Africana (UA) para a Paz e Reconciliação em África, referiu que o "continente africano possui um potencial económico que lhe permitiria alcançar níveis de desenvolvimento superiores aos existentes actualmente".
Contudo, de acordo com um comunicado do CIPRA a que o VerAngola teve acesso, o Presidente "lamentou o facto de África continuar a desperdiçar vidas, recursos e oportunidades, em conflitos que, em muitos casos, poderiam ter sido prevenidos ou resolvidos antes de atingirem as dimensões actuais".
"Na sua visão, assiste-se a mais descarada violação do Direito Internacional e a disputas pelo controlo hegemónico das reservas das principais fontes energéticas, entre as quais o petróleo, gás natural, minerais e terras raras, recursos muito cobiçados e que os países africanos são os principais detentores", pode ler-se na nota.
"Para melhor nos atingirem, procuram fragilizar as nossas instituições, as nossas sociedades, criando e fomentando todo o tipo de divisões entre nós, que podem degenerar em conflitos e guerras", afirmou João Lourenço.
Para o chefe de Estado, os países do continente africano "não podem abdicar do imperativo da unidade se querem transformar o continente num pólo de estabilidade, de progresso e de desenvolvimento, capaz de suprir as necessidades globais em matéria de recursos energéticos, alimentares e de outros que vêm adquirindo importância estratégica".
"O nosso continente e os nossos cidadãos exigem de nós, cada vez mais, medidas que ajudem a encontrar soluções para a problemática da paz e segurança em África", destacou.
João Lourenço defendeu ainda que o propósito de "silenciar as armas em África", que está "inscrito na Agenda 2063, tem de se transformar numa prioridade política permanente da União Africana".
De acordo com o Presidente, "enquanto persistirem guerras, terrorismo, extremismo violento e mudanças inconstitucionais de governo" não vai ser possível construir "a África que queremos".
Para o chefe de Estado, "a paz é a única condição que permite realizar todas as ambições e aspirações do continente".
"Sem paz não haverá desenvolvimento sustentável, sem segurança não haverá integração económica efectiva, sem estabilidade não haverá investimento e sem instituições políticas legítimas e funcionais, não teremos Estados suficientemente fortes para garantir a prosperidade e a dignidade dos nossos cidadãos", afirmou.
Na ocasião, João Lourenço "assinalou que a realização da 21. ª Cimeira Extraordinária da UA acontece num momento em que o continente continua a pagar um preço demasiado elevado devido à instabilidade que se vive em muitos países e regiões", refere ainda o comunicado.
Já na cerimónia de abertura, o Presidente e anfitrião da cimeira, João Lourenço, considerou que é responsabilidade dos líderes africanos "criar as condições para que as futuras gerações de africanos possam viver num continente livre de guerras e conflitos armados violentos, mais integrado, mais prospero e mais seguro".
O chefe de Estado foi o impulsionador do encontro e lembrou, na cerimónia de abertura, o compromisso de Angola a favor da paz, assumido durante o exercício da presidência angolana da UA, em 2025.
João Lourenço destacou a necessidade de tornar "mais eficazes os instrumentos de que África dispõe para prevenir conflitos, mediar crises e assegurar a implementação das decisões coletivamente adoptadas".
O Presidente disse ainda esperar que a Cimeira de Luanda "seja um ponto de viragem" para colocar em prática os mecanismos para a prevenção e resolução dos conflitos no continente.
"Devemos mobilizar os instrumentos políticos, diplomáticos, financeiros e institucionais de que dispomos para prevenir os conflitos antes que estes se transformem em guerras, e para pôr fim no mais curto espaço de tempo possível aos conflitos que já existem", declarou.




