O Presidente da República, João Lourenço, destacou terça-feira, 22, na Assembleia Geral das Nações Unidas, o processo de consolidação da paz e da reconciliação nacional em Angola e anunciou para Outubro, em Luanda, a inauguração de um monumento em memória das vítimas dos conflitos políticos ocorridos no país desde a Independência Nacional até ao alcance da paz, em 2002.
Segundo João Lourenço, a consolidação da paz e da reconciliação nacional constitui actualmente uma realidade, que tem sido acompanhada por medidas concretas, entre as quais apontou as cerimónias de condecoração de antigos líderes políticos da luta de libertação nacional e de representantes de diferentes sectores da sociedade civil, no quadro dos 50 anos da Independência Nacional.
O Chefe de Estado fez estas considerações durante o discurso na 81.ª sessão da Assembleia Geral da ONU, que decorre no ano em que Angola assinala 50 anos desde a sua admissão como membro de pleno direito das Nações Unidas, em Dezembro de 1976.
Ao abordar o percurso histórico do país, João Lourenço recordou que a entrada de Angola na ONU aconteceu num contexto internacional marcado pela Guerra Fria e pela disputa entre as grandes potências por zonas de influência.
Segundo o Presidente, o conflito internacional teve reflexos no percurso de Angola até ao alcance da paz, condicionando os projectos de construção de uma nação próspera e orientada para o desenvolvimento.
João Lourenço afirmou, entretanto, que as experiências deixadas por esse período passaram a servir de referência para a construção da paz, do entendimento e da reconciliação entre os angolanos, além de influenciarem os rumos da política externa do país.
O Presidente anunciou, neste contexto, que o monumento em memória das vítimas dos conflitos políticos será inaugurado em Outubro, em Luanda. A obra está a ser construída na zona da Praia do Bispo, junto ao Memorial António Agostinho Neto, e as autoridades responsáveis pelas obras indicaram recentemente que a conclusão está prevista para o mesmo mês.
A obra pretende homenagear as vítimas dos conflitos ocorridos entre 1975 e 2002. O projecto inclui uma estrutura principal formada por duas torres, concebidas como símbolo de abraço, perdão e reconciliação.
Na intervenção nas Nações Unidas, o Chefe de Estado associou a experiência histórica de Angola ao actual posicionamento do país na defesa do diálogo, da paz e da resolução dos conflitos por via diplomática.
O discurso marcou ainda os 50 anos da entrada de Angola nas Nações Unidas, com João Lourenço a defender que as experiências do passado devem continuar a contribuir para o fortalecimento da paz, da reconciliação nacional e da cooperação entre os povos.




