A prosperidade económica e a integração regional só serão possíveis se o continente tiver uma arquitectura de governação e uma arquitectura de paz e segurança africanas fortes e eficazes.
A perspectiva é do Chefe de Estado, João Lourenço, apresentada este domingo, 30 de Agosto, ao discursar no espaço reservado aos campeões africanos de diferentes temáticas na 21.ª Cimeira Extraordinária da União Africana, em Luanda.
O Estadista angolano, Campeão da União Africana (UA) para a Paz e Reconciliação em África, afirmou que o continente africano possui um potencial económico que lhe permitiria alcançar níveis de desenvolvimento superiores aos existentes actualmente.
No entanto, lamentou o facto de África continuar a desperdiçar vidas, recursos e oportunidades, em conflitos que, em muitos casos, poderiam ter sido prevenidos ou resolvidos antes de atingirem as dimensões actuais.
Na sua visão, assiste-se a mais descarada violação do Direito Internacional e a disputas pelo controlo hegemónico das reservas das principais fontes energéticas, entre as quais o petróleo, gás natural, minerais e terras raras, recursos muito cobiçados e que os países africanos são os principais detentores.
“Para melhor nos atingirem, procuram fragilizar as nossas instituições, as nossas sociedades, criando e fomentando todo o tipo de divisões entre nós, que podem degenerar em conflitos e guerras”, denunciou João Lourenço
Para João Lourenço, os países africanos não podem abdicar do imperativo da unidade se querem transformar o continente num pólo de estabilidade, de progresso e de desenvolvimento, capaz de suprir as necessidades globais em matéria de recursos energéticos, alimentares e de outros que vêm adquirindo importância estratégica.
“O nosso continente e os nossos cidadãos exigem de nós, cada vez mais, medidas que ajudem a encontrar soluções para a problemática da paz e segurança em África”, sublinhou.
O Presidente angolano defendeu que o objectivo de “Silenciar as Armas em África”, inscrito na Agenda 2063, tem de se transformar numa prioridade política permanente da União Africana (UA).
Segundo João Lourenço, enquanto persistirem guerras, terrorismo, extremismo violento e mudanças inconstitucionais de governo não será possível construir “a África que Queremos”.
No entendimento do Chefe de Estado angolano, a paz é a única condição que permite realizar todas as ambições e aspirações do continente.
“Sem paz não haverá desenvolvimento sustentável, sem segurança não haverá integração económica efectiva, sem estabilidade não haverá investimento e sem instituições políticas legítimas e funcionais, não teremos Estados suficientemente fortes para garantir a prosperidade e a dignidade dos nossos cidadãos”, apontou.
O Presidente João Lourenço assinalou que a realização da 21. ª Cimeira Extraordinária da UA acontece num momento em que o continente continua a pagar um preço demasiado elevado devido à instabilidade que se vive em muitos países e regiões.



