O Presidente João Lourenço recebeu, ontem, em audiências separadas, várias entidades que se encontram na capital angolana, no quadro da 21.ª Sessão Extraordinária da Conferência dos Chefes de Estado e de Governo da União Africana (UA), que arranca hoje no Palácio de Convenções de Luanda.
Entre as individualidades recebidas estiveram o Presidente de Cabo Verde, José Maria Neves, o Vice-Presidente da Côte d’Ivoire, Tiémoko Koné, e a directora-geral da Agência de Desenvolvimento da União Africana (AUDA-NEPAD), Nardos Bekele-Thomas.
Ainda no âmbito da agenda diplomática que marca a realização da Cimeira Extraordinária da União Africana, João Lourenço recebeu as candidatas ao cargo de secretária-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) Rebeca Grynspan e Carolyn Rodrigues-Birkett.
Em declarações à imprensa, à margem da audiência, a actual secretária-geral da Conferência sobre Comércio e Desenvolvimento da ONU (UNCTAD), Rebeca Grynspan Mayufis, afirmou que o encontro serviu para ressaltar a importância do reforço da voz e da participação de África no sistema das Nações Unidas, sobretudo nos órgãos de decisão.
A economista natural da Costa Rica defendeu o fortalecimento da actuação das Nações Unidas nos domínios da paz, segurança e desenvolvimento, sublinhando a importância de uma organização multilateral mais representativa e ajustada aos desafios do mundo actual.
A candidata ao cargo de secretária-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) Rebeca GrynspanMayufis enalteceu o papel que Angola tem desempenhado no continente africano, particularmente no domínio da paz e segurança, considerando que as posições do país convergem com os objectivos que defende para as Nações Unidas.
Maior presença de África no CS da ONU
Por sua vez, a representante permanente da Guiana junto das Nações Unidas, Carolyn Rodrigues-Birkett, apontou o reforço da representação de África nos órgãos da ONU, incluindo no Conselho de Segurança, como uma das prioridades que pretende defender, caso seja eleita.
A candidata defendeu também uma maior articulação entre as Nações Unidas e as organizações regionais, destacando, no caso africano, o papel do Conselho de Paz e Segurança da União Africana nos esforços de prevenção e resolução de conflitos.
No domínio do desenvolvimento, considerou necessário preparar uma agenda para o período pós-2030, tendo em conta os desafios relacionados com o cumprimento dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável.
Quanto aos direitos humanos, defendeu que a matéria deve continuar a ocupar uma posição central na actuação das Nações Unidas, em articulação com os esforços de promoção da paz, segurança e desenvolvimento.
UA focada no reforço de respostas próprias aos conflitos
O presidente da Comissão da União Africana (UA), Mahmoud Ali Youssouf, defendeu a necessidade de os países africanos reforçarem os mecanismos próprios de prevenção e resposta aos conflitos e às ameaças à segurança, reduzindo a dependência do apoio externo.
Em declarações à imprensa, após ter sido recebido em audiência pelo Presidente da República, Mahmoud Ali Youssouf destacou os esforços desenvolvidos por João Lourenço em prol da paz e da reconciliação em África.
“Ele já fez muito”, afirmou o presidente da Comissão da UA, considerando que a Cimeira constitui “uma etapa suplementar” nos esforços para que o continente alcance maior autonomia em matéria de paz e segurança.
Perante este cenário, defendeu que os Estados africanos devem começar a organizar-se para recuperar a sua soberania e assumir a responsabilidade pela protecção do continente.
No final do encontro, Mahmoud Ali Youssouf revelou ter solicitado ao Presidente João Lourenço que continue os seus esforços e bons ofícios na resolução de algumas crises no continente.
Entre as situações referidas, destacou a República Democrática do Congo (RDC), onde, segundo o presidente da Comissão da UA, o Chefe de Estado angolano está “muito envolvido” para o fim do conflito.



