O ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, apelou, este sábado, aos jovens angolanos para apostarem na agricultura e na pecuária, sectores que oferecem oportunidades concretas de emprego, empreendedorismo e criação de rendimento, contribuindo para o reforço da segurança alimentar do país.
O apelo foi feito na Comuna da Mongua, município do Cuanhama, província do Cunene, durante a abertura oficial do Ano Agrícola 2026/2027, que ficou marcada pela entrega de títulos de concessão de terrenos a jovens que escolheram a agricultura para construir o seu futuro, numa área de 150 hectares já parcelados.
“Encorajamos a vossa opção e que mais jovens vejam em toda a cadeia de valor da agricultura e pecuária um espaço de oportunidades concretas para a construção de um futuro promissor”, afirmou o governante, ao defender uma actividade agrícola capaz de acolher novas tecnologias, inovação e profissionais qualificados.
Produção nacional em crescimento
José de Lima Massano destacou os resultados da campanha agrícola 2025/2026, que registou um crescimento global de 7,1 por cento, com a produção a atingir cerca de 33 milhões de toneladas, o melhor resultado alcançado até ao momento.
As raízes e os tubérculos registaram um crescimento de 9,1 por cento, para 17,6 milhões de toneladas, das quais cerca de 14,5 milhões correspondem à mandioca. A produção de frutas aumentou 7,7 por cento, para 7,8 milhões de toneladas, impulsionada sobretudo pela banana, manga e ananás.
O desempenho do sector contribuiu igualmente para a redução da dependência externa. Entre 2017 e 2025, referiu, as importações de bens alimentares diminuíram 31,1 por cento, reflectindo o aumento da oferta nacional e a maior presença de produtos angolanos nos mercados.
Apesar dos progressos, o ministro de Estado considerou necessário prosseguir os esforços para assegurar uma produção regular e suficiente, capaz de responder às necessidades alimentares da população.
Executivo reforça apoio aos produtores
Para a campanha agrícola agora iniciada, o Executivo prevê dar continuidade às medidas de apoio às famílias agricultoras, cooperativas e produtores empresariais.
Na campanha anterior, cerca de 1,246 milhões de famílias beneficiaram de assistência no âmbito dos programas de extensão e desenvolvimento rural. Para o novo ciclo agrícola, o país dispõe de aproximadamente 173 mil toneladas de fertilizantes, tendo todas as províncias recebido quantidades superiores às dos anos anteriores.
O ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, disse que o acesso ao crédito continuará a ser apoiado pelo Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Agrário (FADA), pelo Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA) e pelo mecanismo de garantias públicas, através do Fundo de Garantia de Crédito.
No Cunene, o governante destacou ainda o potencial das infra-estruturas hídricas do Cafu, Ndué e Calucuve para ampliar as áreas irrigadas, melhorar as condições de produção e reforçar a articulação entre a agricultura e a pecuária, actividades com forte relevância económica e social na província.
Compromisso com a produção nacional
As políticas de protecção e estímulo à produção nacional serão mantidas, reafirmou o ministro de Estado para a Coordenação Económica apelando aos produtores empresariais, agregadores, cooperativas e industriais do sector alimentar para celebrarem acordos de compra futura com os agricultores.
A iniciativa deverá abranger, em particular, as fileiras do milho, arroz, trigo, feijão, açúcar e carne de frango, com objectivo de criar mercados mais previsíveis para a produção nacional e incentivar o investimento e o aumento da oferta interna.
Para José de Lima Massano, a consolidação destes resultados exige mais terra cultivada, maior produtividade, melhores rendimentos para as famílias e empresas agrícolas mais fortes.
O governante manifestou a expectativa de que a campanha 2026/2027 produza novos avanços na segurança alimentar e nutricional, assentes no trabalho, na organização e na confiança na capacidade de Angola produzir e prosperar.




