Nova Iorque (Do enviado especial) – A candidata ao cargo de directora-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), Josefa Sacko, disse, esta quinta-feira, defender uma visão centrada na valorização da agricultura familiar, das mulheres e da juventude.
Nova Iorque (Do enviado especial) – A candidata ao cargo de directora-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), Josefa Sacko, disse, esta quinta-feira, defender uma visão centrada na valorização da agricultura familiar, das mulheres e da juventude.
Em declarações à imprensa, à margem da 81ª Assembleia Geral da ONU, engenheira agrónoma afirmou que a candidatura, apoiada pela União Africana, resulta de três décadas de experiência profissional, com passagem por instituições multilaterais e pela Organização Interafricana do Café, onde exerceu as funções de secretária-geral.
Josefa Sacko considera que a sua experiência no sector agrícola e em ambientes multilaterais constitui uma mais-valia para a candidatura africana, sobretudo pela necessidade de uma maior atenção ao Sul Global, onde se concentra uma parte significativa da acção da FAO.
A candidata defendeu maior atenção aos agricultores, às mulheres e à juventude, com particular enfoque na renovação geracional do sector agrícola, uma vez que, segundo afirmou, grande parte dos produtores actuais é constituída por pessoas mais velhas.
Para Josefa Sacko, é necessário criar condições para que os jovens encontrem oportunidades de emprego na agricultura, de modo a evitar que sejam obrigados a abandonar os seus países em busca de melhores condições de vida.
A candidata destacou, igualmente, a importância da agricultura familiar, das cadeias de valor agroalimentares e da modernização dos sistemas de produção, com recurso à digitalização e à inteligência artificial.
Segundo Josefa Sacko, a agricultura deve tornar-se mais resiliente aos efeitos das alterações climáticas e aos choques climáticos, com sistemas agroalimentares sustentáveis e infra-estruturas que permitam às populações rurais o acesso à Internet e a novas tecnologias.
A antiga comissária da União Africana sublinhou também a necessidade de mobilização de recursos e de apoio aos Estados na elaboração de projectos bancáveis que permitam o acesso ao financiamento.
Recordou a sua experiência como administradora do Fundo Africano de Desenvolvimento Agrícola (FADA), bem como o trabalho desenvolvido em instituições ligadas à agricultura e ao financiamento do sector.
Josefa Sacko apontou ainda a necessidade de reforçar a cooperação com os parceiros internacionais, com base na transparência, boa governação e prestação de contas, aspectos que considera fundamentais para a preservação do ambiente, dos mares e dos recursos pesqueiros, essenciais para a segurança alimentar.
Na sua visão para a FAO, Josefa Sacko defende que a organização deve transformar o conhecimento, os dados estatísticos e os instrumentos de que dispõe em acções concretas capazes de produzir resultados para as populações mais vulneráveis.
A candidata considera ainda prioritária a eliminação da pobreza extrema e da fome, a valorização das mulheres e jovens e a criação de condições para uma agricultura moderna, sustentável e capaz de responder aos desafios das alterações climáticas.
Para Angola, acrescentou, uma eventual eleição permitiria reforçar a implementação dos compromissos africanos relacionados com a agricultura, a segurança alimentar, a digitalização e o desenvolvimento rural
Sobre a campanha para a direcção-geral da FAO, Josefa Sacko explicou que o processo começou com três candidaturas africanas, mas prevaleceu apenas a representante de Angola.
A candidata destacou o papel da diplomacia angolana e do ministro das Relações Exteriores, Téte António, na obtenção do consenso africano em torno da sua candidatura.
Segundo Josefa Sacko, a campanha procura agora conquistar apoios noutras regiões, com contactos na Ásia, América Latina, Europa e Europa de Leste.
Referiu que a China manifestou disponibilidade para apoiar a decisão da União Africana e destacou também o apoio público manifestado pelo Presidente da Sérvia à candidatura africana.
A candidata explicou que o processo eleitoral prevê a apresentação das candidaturas, a apreciação dos candidatos e a apresentação dos respectivos manifestos e visões, com a eleição prevista para Julho de 2027.
Josefa Sacko apontou o Fórum Mundial da Segurança Alimentar, previsto para Outubro, como uma das próximas etapas importantes da campanha**.SR/ART**




