A candidata angolana ao cargo de directora-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Josefa Leonel Correia Sacko, defende que os desafios da fome, da malnutrição e do acesso aos alimentos nos países do Sul Global devem ocupar um lugar central no debate internacional sobre segurança alimentar.
A posição foi manifestada pela diplomata angolana, em Roma, Itália, à margem do Fórum Mundial da Alimentação, onde destacou a necessidade de reforçar a atenção internacional aos países que enfrentam maiores dificuldades para garantir alimentos suficientes e nutritivos às suas populações.
Segundo Josefa Sacko, entre 60% e 70% das preocupações relacionadas com a erradicação da fome estão concentradas nos países do Sul Global, realidade que, no seu entender, exige maior compromisso e respostas concretas da comunidade internacional.
A candidata considera que a segurança alimentar deve ser tratada como uma prioridade estratégica, tendo em conta a sua relação directa com a saúde pública, a estabilidade social e a manutenção da paz.
“Se nós tivermos segurança alimentar, nós temos a paz”, afirmou, ao relacionar o acesso à alimentação com os desafios dos conflitos e da estabilidade, sobretudo nas comunidades rurais.
Josefa Sacko manifestou igualmente satisfação com a forma como Angola está a conduzir a sua candidatura à liderança da FAO, sublinhando que o país tem trabalhado para reunir apoios diplomáticos antes da submissão formal do processo junto da organização.
A diplomata afirmou que a candidatura conta com o apoio formal da União Africana e destacou o papel da diplomacia angolana na mobilização dos países do continente em torno da iniciativa.
Durante a sua intervenção, defendeu ainda que fóruns internacionais como o Fórum Mundial da Alimentação são importantes para colocar os problemas dos sistemas alimentares na agenda dos governos e promover soluções que respondam às necessidades das populações mais vulneráveis.
Josefa Leonel Correia Sacko é embaixadora de Angola em Itália e representante permanente junto das agências das Nações Unidas sediadas em Roma. Foi comissária da União Africana para a Agricultura, Desenvolvimento Rural, Economia Azul e Ambiente Sustentável, tendo também exercido funções de secretária-geral da Organização Inter-Africana do Café.
A candidatura angolana à direcção-geral da FAO, para o mandato de 2027 a 2031, foi lançada oficialmente em Abril deste ano. A eleição está prevista para Julho de 2027, em Roma.




