Língua Portuguesa pode ser um activo estratégico global

Os Estados-membros da Assembleia Parlamentar da CPLP pretendem projectar a Língua Portuguesa e a Cultura Lusófona como activos estratégicos globais, visando ao reforço da sua influência política, económica e científica.
A intenção foi manifestada, em Luanda, pela secretária executiva da organização, Fátima Jardim, durante o Plenário da XV Sessão Intercalar do órgão, que encerra hoje na Assembleia Nacional. Ao intervir no painel sobre os “Vectores Estratégicos da Comunidade”, a diplomata defendeu que a internacionalização do idioma é fulcral para o sucesso do plano de expansão do bloco. De acordo com a secretária executiva, a promoção do idioma comum e da cultura lusófona funciona como um instrumento fulcral para a afirmação internacional da CPLP, ampliando o seu impacto político, comercial e científico à escala global. “Queremos intensificar a cooperação na educação, ciência, tecnologia e inovação, por meio de projectos comuns que viabilizem a transferência de conhecimento entre os Estados-membros”, ressaltou. Fátima Jardim defendeu ainda a urgência de criar oportunidades ligadas ao crescimento e à unidade na diversidade, gerando diálogos construtivos que fortaleçam as conexões internas da comunidade. Na visão da organização, ressaltou Fátima Jardim, a internacionalização da Língua Portuguesa vai impulsionar iniciativas estratégicas que promovam a coordenação multilateral em vários domínios, sobretudo no ensino e na presença em fóruns globais. “Temos de reforçar a projecção internacional da CPLP, promovendo a realização de conferências, diálogos, festivais, redes de cooperação e mecanismos estruturados para a coordenação entre os Estados-membros”, sublinhou a diplomata. Fátima Jardim referiu que a valorização da comunidade lusófona é de interesse comum. A diplomata justificou que a existência de cerca de 280 milhões de falantes de português constitui um activo fulcral para a afirmação global do bloco. A secretária executiva da CPLP aproveitou a ocasião para apelar, de igual modo, à promoção de uma cidadania inclusiva e do desenvolvimento humano sustentável. Governar é praticar o bem comumO Professor Catedrático Carlos Feijó sublinhou, durante a abordagem do tema “Governação Democrática, Direitos Humanos e Inclusão Social na Lusofonia”, que a legitimidade dos poderes Político, Legislativo e Judicial está directamente condicionada à sua capacidade de gerar bem-estar social. Para o académico, as instituições do Estado só exercem a sua real função soberana quando as suas acções se traduzem na satisfação das necessidades dos cidadãos. Esclareceu que as metas de inclusão social e direitos fundamentais no espaço da comunidade lusófona deixarão de ser meras construções teóricas apenas quando as demandas reais das populações encontrarem respostas práticas e coordenadas nas esferas governativa, parlamentar e jurídica.


