O Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, conquistou um quarto mandato presidencial, mas terá de enfrentar desafios na articulação política com o Congresso Nacional, onde as forças conservadoras reforçaram a sua representação, considera o especialista em Relações Internacionais Osvaldo Mboco.
A vitória de Lula, confirmada no domingo, 25, com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro, representa mais um capítulo de uma trajectória política marcada por derrotas eleitorais, regressos ao poder e capacidade de mobilização do eleitorado.
Contudo, para Osvaldo Mboco, a conquista da Presidência deve ser analisada tendo em conta a correlação de forças nas instituições legislativas, sobretudo no Senado, onde o Partido Liberal (PL), associado ao bolsonarismo, passa a contar com 28 dos 81 lugares.
O Partido dos Trabalhadores (PT), de Lula, terá nove senadores, enquanto o Movimento Democrático Brasileiro (MDB) contará com oito representantes, cenário que torna necessária a negociação com diferentes bancadas para viabilizar iniciativas legislativas e outras prioridades do Executivo.
A composição parlamentar poderá condicionar a capacidade do Presidente de executar o seu programa, exigindo entendimentos com partidos do centro e da direita moderada, bem como concessões políticas para construir maiorias em matérias fundamentais.
A experiência política acumulada por Lula, que já governou o Brasil entre 2003 e 2010 e regressou à Presidência em 2023, será colocada à prova num contexto de forte polarização e de crescimento da representação conservadora no Congresso.
A vitória eleitoral demonstra, assim, que conquistar a Presidência não significa controlar todas as instituições políticas. O desafio do novo mandato será transformar a legitimidade conferida pelas urnas em capacidade efectiva de governação, sem comprometer as prioridades apresentadas aos eleitores.
Aos 80 anos, Lula prepara-se para iniciar, em Janeiro de 2027, o quarto mandato presidencial, numa etapa que poderá marcar o seu legado político, dependendo dos resultados alcançados e da capacidade de construir consensos num Parlamento dividido.




