Luto e revolta marcam despedida de militante da OMA no Huambo

Distintas individualidades do Governo Provincial e um grupo de mulheres da Organização da Mulher Angolana (OMA) no Huambo foram ao cemitério do Sassonde para prestar a última homenagem a Hermelinda Silva, militante da OMA, falecida durante um suposto acto de intolerância envolvendo militantes da UNITA.
No local, representantes do MPLA cuvaram-se perante a memória da militante e deixaram mensagens de homenagem. “ Hermelinda, o teu pano de militante da OMA agora é eterno. O seu nome será sussurrado em cada reunião, em cada assembleia e em cada vitória futura. Descanse em paz, com a certeza de que a tua estrela continuará a guiar o nosso caminho.”
A cerimónia foi marcada por forte emoção. Familiares relataram a dor pela perda e a incerteza quanto ao futuro. O esposo da falecida recordou os 34 anos de vida em comum, durante os quais enfrentaram momentos difíceis, incluindo a guerra no país, e destacou o vazio deixado na família. “Daqui para frente, a vida sem ela será muito complicada. Ela sempre nos acolhia e nos ajudava. Agora será muito difícil cuidar dos filhos, da neta e dos sobrinhos.”
O secretariado provincial da OMA no Huambo apelou à justiça para que os autores do acto de intolerância sejam responsabilizados. A organização classificou o incidente como uma grave violação dos princípios democráticos e sublinhou que, 24 anos depois da conquista da paz, actos desta natureza devem ser repudiados. “Pedimos e imploramos à justiça que seja dura e célere no processo para trazer algum consolo à família e à sociedade”, declarou uma fonte da OMA.
O administrador do município do Huambo, presente na cerimónia, reforçou que “há espaço para todos os partidos” e que a actividade de uma força política não deve impedir a acção de outra. Segundo ele, conflitos desta natureza são injustificáveis e comprometem a convivência democrática no território.
O funeral de Hermelinda Silva tornou-se assim um momento de reflexão sobre a tolerância política, a justiça e a preservação da paz social, colocando em evidência a urgência de medidas concretas para prevenir actos de violência e assegurar a convivência pacífica entre partidos na província do Huambo.


