Mara Quiosa anota inquietações de jovens num encontro com centena de organizações

A vice-presidente do MPLA, Mara Quiosa, auscultou domingo, no Lubango, as preocupações de 120 organizações juvenis — incluindo associações políticas, religiosas e estudantis.
No encontro, foram debatidos temas como o desemprego, a habitação, a formação técnico-profissional e a desburocratização de serviços públicos, além de entraves económicos como a falta de crédito bancário, o apoio ao empreendedorismo, as dificuldades nas vias de acesso às zonas agropecuárias e o escoamento da produção. O secretário provincial do Conselho Nacional da Juventude (CNJ) na Huíla, Domingos Queya, considerou valioso o encontro por dar voz às inquietações locais, enaltecendo o empenho e a vitalidade do movimento associativo das “Terras Altas da Chela”. Entre os constrangimentos operacionais apresentados, Queya apontou a falta de transportes para dinamizar as actividades, a inexistência de uma sede própria para o Conselho Provincial e a escassez de meios administrativos para apoiar as associações com menor capacidade financeira. O responsável lembrou ainda que, na auscultação de Março passado, a juventude já havia sinalizado problemas como a deficiência na iluminação pública e no abastecimento de água potável, a degradação das vias, o funcionamento limitado de postos médicos, o abandono de infra-estruturas desportivas e a baixa inclusão juvenil nas oportunidades das administrações locais. Para o líder associativo, é urgente encontrar soluções que travem o aumento da criminalidade, do consumo de drogas e da prostituição. “São necessárias medidas preventivas e um maior envolvimento da juventude na implementação de programas sociais”, defendeu. De acordo com o secretário provincial, o descompasso entre a formação ministrada e as reais necessidades do mercado continua a empurrar os jovens para o subemprego e para o sector informal, cenário agravado pela escassez de escolas técnicas e centros profissionais nos municípios do interior. No que toca ao empreendedorismo, os representantes juvenis reiteraram a necessidade de maior facilidade no acesso ao crédito, menos burocracia e mecanismos eficazes de fomento aos pequenos negócios, hoje limitados pela falta de financiamento. Distribuição de terrenosOs jovens enalteceram a distribuição de lotes de mil metros quadrados em zonas urbanizadas da Huíla, considerando a medida uma oportunidade crucial para o fomento da autoconstrução dirigida. No entanto, os participantes solicitaram o cumprimento rigoroso do Decreto Presidencial n.º 278/20, que reserva 20% das habitações sociais para a juventude, defendendo critérios mais inclusivos que abranjam também quem trabalha no mercado informal. Durante o encontro alargado com a vice-presidente do MPLA, Mara Quiosa, foram apresentados pedidos para a construção de casas da juventude, bibliotecas, centros comunitários e de artes, além da reabilitação de campos desportivos. Os jovens também demandaram o reforço dos serviços de saúde mental, apoio psicossocial e saúde sexual e reprodutiva. No encerramento do encontro, o primeiro-secretário nacional da JMPLA, Justino Capapinha, garantiu que o partido vai continuar a acompanhar de perto as demandas juvenis, com foco em habitação, formação académica, ensino técnico-profissional e fomento ao empreendedorismo. O líder sublinhou que a organização juvenil do MPLA está empenhada em transformar estas preocupações em propostas concretas para o Executivo. Paralelamente, Capapinha defendeu a urgência de um combate cerrado ao garimpo ilegal de recursos minerais, que não só lesa a economia nacional, mas também expõe muitos jovens à criminalidade e ao perigo. Para o dirigente juvenil, a solução para estes desafios passa inevitavelmente pela inclusão social e pelo reforço contínuo da cooperação com as organizações da sociedade civil e agremiações parceiras.


