O Memorial às Vítimas dos Conflitos Políticos ocorridos em Angola, entre 1975 e 2002, representa um símbolo de perdão, cura colectiva e reconciliação nacional, afirmou, nesta quarta-feira, 14, em Luanda, o coordenador da Comissão para a Implementação do Plano de Reconciliação e Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos (CIVICOP), Marcy Lopes.
Segundo o também ministro da Justiça e dos Direitos Humanos, a infraestrutura, inaugurada nesta quarta-feira, constitui uma homenagem aos angolanos que perderam a vida durante os conflitos políticos e um espaço destinado à preservação da memória histórica do país.
Marcy Lopes considerou que a imponência arquitectónica do memorial traduz o significado histórico do projecto, concebido para representar o abraço entre irmãos, a superação das mágoas e a pacificação das almas, num país marcado por décadas de confrontos.
Durante a cerimónia de inauguração, o responsável afirmou que a história preservada naquele espaço foi escrita com o sangue, o suor e as lágrimas de angolanos que viveram os conflitos, alcançaram a paz e continuam a contribuir para a reconciliação e a reconstrução nacional.
O coordenador da CIVICOP recordou igualmente a mensagem do Presidente da República, João Lourenço, dirigida à nação sobre a memória das vítimas dos conflitos políticos, na qual o Chefe de Estado defendeu a necessidade de restaurar a nação, curar as feridas do passado e renovar a esperança dos cidadãos.
Ao abordar a dimensão humana do processo de reconciliação, Marcy Lopes recordou os momentos de emoção vividos durante a entrega de restos mortais às famílias das vítimas. Segundo relatou, membros da comissão, incluindo responsáveis governamentais, não conseguiram conter as lágrimas perante o sofrimento dos familiares.
Para o responsável, essas reacções não representaram fragilidade, mas uma manifestação de humanidade diante da dor das famílias e da importância de estas conhecerem o destino dos seus entes queridos.
O Memorial às Vítimas dos Conflitos Políticos surge, assim, como um espaço de homenagem e preservação da memória, num processo que procura reconhecer o sofrimento provocado pelos conflitos e contribuir para a reconciliação entre os angolanos.




