A 21.ª Sessão Extraordinária da Conferência da União Africana (UA) sobre o Reforço dos Mecanismos de Prevenção e Resolução de Conflitos em África, que Luanda acolhe hoje, promete marcar um ponto de viragem na forma como o continente transforma compromissos políticos em resultados concretos.
A constatação é do representante permanente de Angola junto da União Africana (UA) e porta-voz do certame, Miguel Bembe, para quem o encontro poderá romper com uma tradição burocrática há muito enraizada nas práticas da organização continental.
“Pela primeira vez na história da União Africana, a Conferência poderá sair de Luanda não apenas com uma declaração política ou uma decisão de carácter genérico, mas como um verdadeiro instrumento de execução. A Conferência Extraordinária de Luanda vai pôr fim à era das decisões sem resultados concretos na União Africana”, adiantou Miguel Bembe.
A convocação desta Cimeira em Luanda, esclareceu Miguel Bembe, enquadra-se na responsabilidade histórica e geopolítica assumida pelo país a nível do continente africano.
O representante permanente junto da UA ressaltou que o Presidente da República, João Lourenço, foi pioneiro ao propor a 16.ª Sessão Extraordinária da Conferência dos Chefes de Estado e de Governo da União Africana sobre o Terrorismo e Mudanças Inconstitucionais de Governo em África, realizada em Malabo, a 28 de Maio de 2022, durante a qual foi designado Campeão da União Africana para a Paz e Reconciliação em África.
"Agora, de forma inédita, o Presidente da República e Campeão da União Africana para a Paz e Reconciliação em África propôs e traz para Luanda, pela primeira vez na história da organização, a 21.ª Sessão Extraordinária da Conferência dos Chefes de Estado e de Governo da União Africana, exclusivamente dedicada ao reforço dos meca- nismos de prevenção e resolução de conflitos em África", destacou o embaixador Miguel Bembe.
O representante permanente junto da UA acrescentou ainda que Angola propôs a realização desta Cimeira Extraordinária devido ao facto de o continente exigir uma transição urgente da reacção analógica para a prevenção estratégica.
"Não podemos continuar a gerir crises. Precisamos de as estancar na raiz e de forma proactiva", defendeu o embaixador angolano. Miguel Bembe avançou que um dos objectivos da Cimeira vai incidir sobre a necessidade da União Africana avançar para financiamentos mais autónomo das suas operações de paz e mediação, reduzindo, deste modo, a dependência de parceiros externos.
Para o representante permanente de Angola junto da UA, quem financia, normalmente, dita as regras do jogo e a orientação doutrinária.
Sobre este particular, Miguel Bembe referiu que a soberania e a autonomia estratégica de África dependem, "umbilicalmente", da sustentabilidade previsível do Fundo para a Paz da União Africana (AUPF), que disse ter ultrapassado, em meados de 2026, os 405 milhões de dólares americanos de saldo acumulado.



