Os ministros dos Transportes, da Indústria e Comércio, das Obras Públicas, Urbanismo e Habitação e da Agricultura e Florestas defenderam, esta quarta-feira, 19, maior articulação entre os diferentes sectores para melhorar o escoamento da produção nacional e acelerar a transformação da economia angolana.
A posição foi apresentada durante o Café CIPRA, dedicado à construção e reabilitação de estradas para o escoamento da produção nacional, onde os governantes destacaram a necessidade de uma resposta integrada entre produção, infra-estruturas, transporte e acesso aos mercados.
O ministro dos Transportes, Ricardo de Abreu, afirmou que Angola precisa de superar as limitações existentes na capacidade de escoamento da produção para os principais mercados consumidores, defendendo maior coordenação interministerial e participação do sector privado.
Segundo o governante, o país está a atravessar uma transformação estrutural, com o objectivo de passar de uma economia “eminentemente importadora” para uma economia assente na produção doméstica.
Ricardo de Abreu considerou que esta mudança exige uma cadeia de valor funcional, capaz de responder às necessidades desde o produtor até ao consumidor final.
Por sua vez, o ministro da Indústria e Comércio, Rui Minguês, defendeu que a construção e reabilitação das estradas deve estar ligada ao fortalecimento da produção nacional de materiais de construção.
O governante apontou a utilização do betão como uma das alternativas para garantir maior durabilidade das estradas e capacidade para suportar cargas mais elevadas, destacando a necessidade de a indústria nacional assegurar a produção de cimento, malhas e cabos de aço.
Rui Minguês defendeu igualmente que pontes, viadutos e outras estruturas de engenharia devem beneficiar da capacidade instalada no país, incluindo da indústria siderúrgica.
Na perspectiva do ministro, a melhoria das estradas deve ser acompanhada por uma organização eficiente da cadeia de comércio e transporte, de modo a garantir que os produtos cheguem aos consumidores em melhores condições e a custos mais baixos.
Já o ministro da Agricultura e Florestas, Isaac dos Anjos, destacou a necessidade de criar condições para que jovens e empresários invistam na produção agrícola e aproveitem as oportunidades existentes no sector.
O governante revelou que estão a ser avançados novos acordos com investidores numa base de 60/40, permitindo ao investidor exportar 60% do que produzir, enquanto 40% deverá permanecer no mercado nacional.
Isaac dos Anjos defendeu ainda o reforço da formação dos jovens e empresários, considerando que o aumento da produção depende não apenas da existência de planos, mas também da capacidade de os implementar.
O ministro das Obras Públicas, Urbanismo e Habitação, Carlos Alberto da Silva Gregório dos Santos, também apontou a necessidade de melhorar as infra-estruturas e os meios de transporte para responder às exigências do desenvolvimento económico.
As intervenções dos governantes convergiram na necessidade de uma abordagem integrada, em que a agricultura produza, a indústria forneça os meios e materiais necessários e os transportes assegurem o escoamento eficiente da produção.
O debate no Café CIPRA surge num contexto de aposta do Executivo no aumento da produção nacional e na redução da dependência das importações, colocando a melhoria da rede rodoviária como um dos instrumentos para aproximar os produtores dos mercados consumidores.



