O Movimento Cívico TODOS foi lançado oficialmente esta quarta-feira, 23 de Setembro, em Luanda, numa cerimónia que reuniu activistas, representantes da sociedade civil e deputados do Grupo Parlamentar da UNITA.
Liderado pelo activista Nelson Adelino Dembo, conhecido como “Gangsta”, o movimento foi apresentado no Auditório das Irmãs Paulinas, com a presença do 4.º vice-presidente do Grupo Parlamentar da UNITA, Olívio Nkilumbu, e do deputado Agostinho Kamuango Lopes.
Entre os participantes estiveram ainda Francisco Teixeira, Luther King, Tanaice Neutro, Florindo Chivucute, do Friends of Angola, e Simão Formiga, do Movimento de Estudantes Angolanos (MEA).
Apelo à participação
Florindo Chivucute considerou que o novo movimento pode contribuir para ampliar a participação dos cidadãos na vida pública. Defendeu que a democracia não deve limitar-se às eleições, mas incluir uma participação activa da sociedade.
Rafael Inácio, representante ligado aos taxistas, apelou à união de diferentes sectores, incluindo taxistas, lotadores, brigadistas, lavadores de carros e zungueiras. Segundo o activista, estes grupos enfrentam dificuldades sociais e económicas e devem participar nos processos de transformação.
Alexandre Barros Dambaia defendeu a organização dos diferentes movimentos e a resolução interna de eventuais conflitos. Considerou ainda necessária uma maior representação dos vários sectores da sociedade e defendeu uma liderança orientada para a identificação de problemas e apresentação de soluções.
Leonardo Marcos, da Plataforma Univer, associou o movimento à participação da juventude e ao debate sobre a alternância política em 2027. Apelou à disciplina, organização e redução das divisões internas.
Francisco Teixeira defendeu a mobilização contínua a partir das comunidades e afirmou que os activistas devem assumir posições claras no debate sobre as alternativas políticas para o país. Também manifestou apoio à realização de manifestações públicas.
O general Milas, do Movimento Mundial, incentivou a preparação de manifestações para expressar o descontentamento de sectores da população perante a situação socioeconómica do país.
Leila Furtila, vice-presidente do MEA, destacou o papel das mulheres na transformação social e política e defendeu maior participação feminina na educação, economia e vida pública.
Coordenação e eleições
Durante a cerimónia, Adolfo Campos foi apresentado como coordenador-geral do movimento em Angola e Pedro de Sousa como secretário-geral. Sete Cérebros e Boina Vermelha foram mencionados na coordenação internacional.
Pedro de Sousa apresentou a mensagem formal do movimento, apelando à mobilização e participação dos cidadãos.
No encerramento, Adolfo Campos defendeu a união dos movimentos cívicos e uma maior iniciativa dos cidadãos e jovens na vida pública.
Sobre as eleições de 2027, pediu que a Casa Militar não intervenha no processo eleitoral e criticou a Comissão Nacional Eleitoral (CNE) relativamente à gestão do registo eleitoral e dos processos eleitorais.
Também questionou a participação da empresa Indra na logística eleitoral, defendendo maior controlo e fiscalização dos mecanismos eleitorais pelos cidadãos.
O lançamento do Movimento Cívico TODOS ocorre num período de preparação para as eleições gerais previstas para 2027, com os seus promotores a defenderem maior participação cidadã e mobilização social.




