A vice-presidente do MPLA, Mara Quiosa, destacou, ontem, em Luanda, o papel exemplar de Maria Eugénia da Cruz na luta de libertação do jugo colonial e Independência Nacional.
As declarações foram feitas durante as exéquias da viúva do co-fundador do MPLA Viriato da Cruz. Na ocasião, sublinhou que falar de Maria Eugénia da Cruz obriga a recordar também Viriato da Cruz, figura incontornável da história do partido. “Viriato da Cruz foi um nacionalista, patriota, um homem que participou activamente na luta de libertação do nosso país”, salientou Mara Quiosa.
A dirigente destacou que Maria Eugénia da Cruz partilhou as mesmas vicissitudes daquela época e participou em acções clandestinas. “Não podia ser diferente enquanto sua esposa. Podemos considerá-la, também, como uma combatente da liberdade e da independência do nosso país”, declarou.
Mara Quiosa expressou, em nome da Direcção Central do MPLA, respeito e admiração pela figura da malograda, e apresentou sentidas condolências à família.
“Nesta hora de dor e luto, a Direcção Central do nosso partido verga-se, com respeito e reconhecimento, diante da figura da camarada Maria Eugénia da Cruz e endereça à família enlutada as suas mais sentidas condolências”, destacou Mara Quiosa, sublinhando que o MPLA se solidariza profundamente com os familiares perante esta perda irreparável.
Trajectória política
O coordenador da Comissão de Disciplina, Ética e Auditoria do Bureau Político do MPLA, Pedro Neto, referiu que Maria Eugénia da Cruz, nascida em 1928, no Moxico, pertenceu a uma geração de angolanos que viveu um dos períodos mais decisivos da história do país.
A trajectória da militante, de acordo com o dirigente, ficou marcada ainda pela dedicação à causa nacionalista, participação, muitas vezes discreta e longe dos grandes palcos, no processo que conduziu à libertação de Angola do jugo colonial português.
Pedro Neto disse que, depois de concluir a formação em Portugal, Eugénia da Cruz regressou à terra natal, onde exerceu funções públicas nas Alfândegas e, posteriormente, nos Correios de Angola, durante a década de 1950. Foi precisamente nesse período de crescente efervescência política e intensa mobilização nacionalista em Luanda que se ligou à causa da libertação nacional.
“A ligação ao movimento levou-a, mais tarde, ao exílio em Conacri, onde viveu uma etapa particularmente exigente da luta”, partilhou Pedro Neto, salientando que perante as dificuldades materiais e organizativas dos primeiros tempos da vida política, “prestou uma contribuição de grande relevância na organização do arquivo do então movimento”.
O coordenador da Comissão de Disciplina, Ética e Auditoria do Bureau Político do MPLA referiu que este trabalho silencioso se revestiu de extraordinária importância. Pedro Neto confessou que preservar documentos, organizar arquivos e assegurar a memória documental de uma organização em formação significava também contribuir para a preservação da história de uma luta que se desenvolvia em condições particularmente difíceis.
“Maria Eugénia da Cruz foi muito mais do que a esposa de Viriato da Cruz, foi uma mulher que partilhou as dificuldades das formações políticas e sociais, e, com dedicação, coragem e espírito de sacrifício, participou num capítulo fundamental da história de Angola”, disse.
De acordo com Pedro Neto, o MPLA reconhece nela uma intrépida combatente da causa da libertação nacional, uma testemunha directa de um período fundador e uma participante do processo que culminaria na conquista da independência e na afirmação de Angola como Estado soberano.
“A sua memória merece ser preservada e transmitida às novas gerações", disse, sublinhando, assim, que recordar Maria Eugénia da Cruz é também recordar uma geração de homens e mulheres que, cada um à sua maneira, contribuiu para que a “aspiração à liberdade e à soberania nacional se tornassem realidade”.
O MPLA, disse Pedro Neto, neste momento particularmente triste, endereça aos familiares, amigos e a todos os que partilharam com Maria Eugénia da Cruz os caminhos da vida, a sua profunda solidariedade.
“Que o exemplo de dedicação, coragem e espírito de sacrifício de Maria Eugénia da Cruz permaneça na memória colectiva e que a sua contribuição para a história da luta de libertação continue a ser conhecida pelas novas gerações”, salientou.




