Mussulo aposta na chegada de bancos e na valorização do turismo sustentável

O recém-criado município do Mussulo, com apenas oito meses de institucionalização, procura afirmar-se como polo de investimento, turismo e desenvolvimento sustentável em Angola.
Em entrevista esta segunda-feira, 1, ao programa Capital Central, da Rádio Correio da Kianda, o administrador em exercício, Hélder Cardoso, falou sobre os avanços nas vias de acesso, a garantia de contactos com bancos comerciais para instalação de agências, a segurança dos turistas e residentes, além dos desafios em sectores como educação, saúde e meio ambiente.
És a entrevista completa:
JM – Sr. Administrador, como é que a administração está a aproximar os serviços às populações do Mussulo nestes primeiros oito meses?
HC – Quando se fala da via, temos aproximadamente 45 quilómetros, mas não em linha reta, são ruas sinuosas. Depois da visita do Sr. Governador, conseguimos uma intervenção em cerca de dez quilómetros. Hoje é possível circular entre o Tapo, Farol e Buraco com viaturas simples, sem tração. Já na zona do Resort Flamingo a mobilidade ainda é difícil, só com viaturas todo-o-terreno. Mas está em curso um projeto de execução da via que ligará o Tapo até à Ponta da Barra. Tal como a energia elétrica chegou, acreditamos que também vamos vencer este desafio.
JM – E em termos de segurança pública, os efectivos da Polícia Nacional correspondem às expectativas das populações?
HC – Melhorámos significativamente. Contamos com três esquadras, localizadas na Ponta da Barra, no centro do Mussulo e no Buraco. Além disso, temos postos policiais no Macoco e no Tapo, guardas-fronteira e polícia fiscal na Ponta da Barra, no centro e no Buraco. O que era antes uma esquadra está a ser elevado ao nível de comando municipal. Passo a passo, estamos a criar a dimensão necessária para dar confiança aos residentes e turistas.
JM – O Mussulo acolhe a abertura nacional da época balnear no próximo dia 20 de setembro. Os serviços de proteção civil e bombeiros estão preparados?
HC – O ideal seria termos já todas as condições criadas. Mas sabemos que, ao passarmos de comuna a município, ainda há ajustes em curso. O corpo de bombeiros ainda precisa de reforço de meios, mas tem-nos servido bastante. O acto da época balnear será também uma oportunidade para advogar as necessidades do Mussulo e atrair mais apoios.
JM – E nos sectores da educação e saúde, quais são os maiores desafios?
HC – Em educação temos apenas cinco escolas, o que é insuficiente. Estamos a lutar para introduzir o ensino médio, com cursos vocacionados para o turismo, que é a nossa identidade. Em saúde temos um centro a funcionar em pleno e quatro postos, dos quais três estão activos. O do Macoco e da Zanga ainda não funcionam, mas estamos a trabalhar para expandir a cobertura.
JM – A nível ambiental, que medidas estão a ser tomadas?
HC – Recebemos muitos resíduos sólidos trazidos do continente pelo mar. Fazemos campanhas de limpeza todos os fins de semana e procuramos soluções de reciclagem. Também temos uma grande zona de mangais, que funcionam como maternidade de espécies marinhas e terrestres. Realizamos campanhas de plantação e contamos com apoio de ONGs para sensibilizar a população. Defendemos esta causa porque os mangais são dez vezes mais eficientes que as florestas em termos ambientais.
JM – Que apelo deixa aos investidores e visitantes do Mussulo?
HC – O Mussulo está a ganhar uma nova imagem. Temos projectos em carteira, mas já se notam mudanças. Apelamos para que os investidores tragam serviços, invistam aqui. Da nossa parte, garantimos empenho na segurança, turismo, educação, saúde e boa governação. E pedimos também respeito pela natureza. Quem visitar o Mussulo verá um município em crescimento, mas com uma identidade única e potencial enorme.


