O antigo presidente da FNLA, Ngola Kabangu, afirma que Nimi-a-Simbi será afastado democraticamente da liderança do partido, numa altura em que a direcção decidiu adiar para Novembro o VI Congresso Ordinário e de renovação de mandatos.
A direcção da FNLA, liderada por Nimi-a-Simbi, remarcou o congresso para os dias 25, 26 e 27 de Novembro, depois de inicialmente ter previsto a sua realização entre 23 e 25 de Setembro. A decisão foi tomada pelo Bureau Político e justificada pela falta de recursos financeiros para concluir o processo preparatório.
A alteração da data é contestada por Ngola Kabangu, que considera a decisão uma violação dos estatutos do partido e defende que a competência para alterar o calendário do congresso pertence ao Comité Central.
Em declarações sobre a disputa interna, Kabangu afirma que Nimi-a-Simbi será “escorraçado democraticamente” da FNLA, defendendo que a mudança na liderança deverá resultar do processo congressual e da vontade dos militantes.
A contestação ocorre poucos dias antes do fim do mandato de Nimi-a-Simbi, previsto para 30 de Setembro. A FNLA chega ao congresso dividida em torno da organização do processo, com duas estruturas a reivindicarem legitimidade para preparar a reunião magna do partido.
A comissão ligada à ala de Ngola Kabangu é coordenada por Ndonda Nzinga, enquanto a direcção de Nimi-a-Simbi reconhece João Roberto Soki-Soki como coordenador da comissão preparatória. As duas estruturas divergem sobre a legitimidade do processo.
A disputa ocorre depois de o Tribunal Constitucional ter determinado, em 6 de Agosto, que a FNLA cumprisse as formalidades estatutárias e legais necessárias para a convocação e realização do VI Congresso Ordinário. O tribunal considerou procedente uma providência cautelar relacionada com o processo congressual.
Cinco candidaturas à presidência da FNLA foram validadas pela comissão coordenada por Ndonda Nzinga: Carlito Roberto, Daniel Afonso, António Fernando Pedro Gomes, Kiaku Samuel Kiala e Sofia Coelho Afonso.
A crise interna prolonga-se desde a morte de Álvaro Holden Roberto, em 2007, e tem colocado diferentes sectores do partido em confronto sobre a liderança e a organização dos congressos. Nimi-a-Simbi foi eleito presidente em 2021, enquanto Ngola Kabangu dirigiu a formação política entre 2007 e 2011.
O adiamento do congresso acrescenta agora uma nova frente à disputa interna: de um lado, a actual direcção invoca dificuldades financeiras para justificar a alteração do calendário; do outro, a ala de Kabangu defende a manutenção das datas inicialmente previstas e questiona a competência do Bureau Político para tomar a decisão.
A declaração de Kabangu de que Nimi-a-Simbi será “escorraçado democraticamente” coloca o próximo congresso no centro da disputa pela liderança da FNLA.



