A direcção da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), liderada por Nimi-a-Simbi, adiou para 25 a 27 de Novembro o VI Congresso Ordinário e de renovação de mandatos, inicialmente marcado para 23 a 25 de Setembro. A decisão, tomada na sexta-feira, 18, pelo Bureau Político, é justificada pela direcção com dificuldades financeiras, mas está a ser contestada internamente.
A alteração da data ocorre num contexto de prolongada disputa interna na FNLA e pouco antes do fim do mandato de Nimi-a-Simbi, previsto para 30 de Setembro. O antigo presidente do partido, Ngola Kabangu, considera o adiamento uma violação dos estatutos e defende que a decisão compete ao Comité Central.
Segundo a porta-voz da FNLA, Maria Bunlevu, a comissão preparatória apresentou as dificuldades financeiras durante a reunião do Bureau Político. A responsável explicou que a data de Setembro tinha sido apenas anunciada e que o congresso ainda não tinha sido formalmente convocado.
A falta de recursos também está a condicionar a realização das assembleias provinciais para eleição dos delegados. Das 21 previstas, 17 já foram realizadas, enquanto quatro aguardam por condições financeiras para avançar, segundo a porta-voz.
Ngola Kabangu, por sua vez, rejeita a alteração decidida pelo Bureau Político. À saída da reunião, afirmou que Nimi-a-Simbi pretende adiar o congresso sem consultar o Comité Central, órgão que considera competente para tomar essa decisão. A ala de Kabangu defende, por isso, a manutenção das datas inicialmente previstas.
A disputa ocorre depois de uma decisão do Tribunal Constitucional, proferida em 6 de Agosto, num processo relacionado com a realização do VI Congresso Ordinário. O tribunal determinou que a FNLA desencadeasse e concluísse o procedimento de convocação do congresso, cumprindo as formalidades previstas nos estatutos, no regulamento interno e na legislação aplicável.
No mesmo acórdão, o Tribunal Constitucional registou que os requerentes haviam alegado que a insuficiência de recursos financeiros não constituía fundamento bastante para adiar o congresso. O tribunal considerou procedente a providência cautelar e determinou a regular convocação e realização do congresso em conformidade com os estatutos da FNLA.
A FNLA chega assim à preparação do congresso com duas comissões preparatórias e cinco candidaturas à presidência: Carlito Roberto, Daniel Afonso, António Fernando Pedro Gomes, Kiaku Samuel Kiala e Sofia Coelho Afonso. A comissão coordenada por Ndonda Nzinga validou as cinco candidaturas.
A actual disputa pela organização do congresso prolonga uma crise interna que divide o partido desde a morte de Álvaro Holden Roberto, em 2007. Nimi-a-Simbi foi eleito presidente em 2021, enquanto Ngola Kabangu liderou a organização entre 2007 e 2011.




