Lubango - O assistente de monitoria e avaliação do Projecto Njila, Manuel Cualela Tomás, defendeu esta sexta-feira, no Lubango, a criação de carreiras estruturadas e a replicação obrigatória do conhecimento interno, para mitigar o impacto da rotatividade de funcionários nas administrações municipais.
Lubango - O assistente de monitoria e avaliação do Projecto Njila, Manuel Cualela Tomás, defendeu esta sexta-feira, no Lubango, a criação de carreiras estruturadas e a replicação obrigatória do conhecimento interno, para mitigar o impacto da rotatividade de funcionários nas administrações municipais.
Colocado na quarta Unidade Regional de Implementação do Projecto (URIP 4) que compreende as províncias da Huíla e Cunene, o entrevistado falava no encerramento da formação de gestores públicos das províncias da Huíla, Cunene e Namibe, no quadro do Projecto de Fortalecimento da Governança para a Melhoria da Prestação dos Serviços em Angola (Njila).
As acções de formação do projecto fazem parte da Componente 2A- “Fortalecimento das capacidades em Gestão Financeira Pública”, que visa apoiar a melhoria dos sistemas de planeamento, execução orçamental, gestão financeira e prestação de contas. Conta com um financiamento global, para todo o paí de 50 milhões de dólares.
Em declarações à ANGOP, o assistente do projecto afirmou que a transferência e a promoção constante de técnicos criam um vazio institucional que pode comprometer a eficácia e a continuidade das políticas públicas locais.
Segundo o entrevistado, o fenómeno da mobilidade nas administrações municipais faz com que o conhecimento saia da instituição juntamente com o funcionário.
“A mudança de um técnico recém-formado para outra área ou município interrompe o fluxo de trabalho e gera um impacto negativo caso não haja tempo suficiente para a transferência de competências ou empoderamento de quem assume a posição ou vaga”, disse.
Admitiu que as iniciativas actuais de partilha de conhecimento ainda não são suficientes para mitigar o impacto destas transferências de pessoal.
Como solução recomendou a criação de um programa estruturado de ascensão de carreira focado na partilha e na transmissão de conhecimento entre pares.
Na sua visão, é fundamental instituir processos contínuos de replicação interna dentro das próprias administrações para garantir que o técnico que recebe a formação dissemine as matérias com os restantes colegas.
Dessa forma, segundo Manuel Cualela Tomás, assegura-se que o conhecimento fique fixado na respetiva área de trabalho e não saia com o quadro técnico.
Adicionalmente ao constrangimento em causa registado, apontou a complexidade logística e a mobilização de técnicos de várias localidades para um único ponto como outros desafios operacionais que exigem uma comunicação fluida.
Sobre a formação, direccionada a directores de gabinetes jurídicos e da inspecção municipal, avançou que visou capacitar as lideranças em matérias legais complexas, para evitar erros e atropelamentos administrativos que gerem constrangimentos no atendimento ao cidadão e na satisfação do interesse público.
Apelou aos beneficiários da formação a materializar os conhecimentos apreendidos e a continuarem firmes na carreira de exercício, dentro das administrações, porque é um desafiotrabalhar para o serviço público.
Fez saber que o ciclo formativo do Projeto Njila, iniciado em Fevereiro de 2025, já abordou temáticas como a gestão de finanças públicas, contratação pública, ordenamento do território, recursos humanos e avaliação de desempenho na administração local.
Informou que a implementação das acções formativas estão a ser asseguradas pela Escola Nacional de Administração e Políticas Públicas (ENAPP).
Frisou que se prevê para os próximos meses a abordagem de novos temas de continuidade, e novos com destaque para a contratação dinâmica e electrónica.
Com a nova Divisão Política e Administrativa, a URIP 4 abrange actualmente 18 municípios na província da Huíla e nove na do Cunene. EM/MS




