Angola precisa aprofundar o pensamento estratégico e reforçar a capacidade de antecipação perante as novas dinâmicas geopolíticas.
A posição foi defendida, ontem, em Luanda, pelo embaixador de Angola na Etiópia e representante permanente junto da União Africana (UA), Miguel Bembe, durante a Palestra de Alto Nível subordinada ao tema “A Geopolítica do Corno de África e as suas Implicações para Angola”.
O diplomata afirmou que as crises que se desenvolvem no “Corno de África” podem produzir efeitos no Golfo da Guiné, na África Austral, na África Central e na região dos Grandes Lagos, repercutindo-se, por extensão, na arquitectura de segurança de Angola.
Neste caso particular, Miguel Bembe salientou que Angola não pode assumir uma posição de espectador distante perante os acontecimentos naquela região. “Angola não se pode dar ao luxo de olhar para o ‘Corno de África’ como um espectador distante”, afirmou.
Para o representante permanente de Angola na União Africana, o “Corno de África” funciona, simultaneamente, como “espelho retrovisor” e um “radar” daquilo que poderá representar o futuro da segurança colectiva no continente africano.
No encontro promovido pelo Instituto de Defesa Nacional (IDN), Miguel Bembe defendeu a necessidade de extrair lições capazes de contribuir para a calibração das políticas externas, de segurança e de defesa nacional.
O diplomata disse que, à semelhança do Médio Oriente, o “Corno de África” se transformou num dos mais complexos laboratórios de guerra híbrida e de competição multipolar em África.
Segundo Miguel Bembe, o Mar Vermelho e o Golfo de Áden, transformaram-se em “importantes palcos de saturação militar externa, onde a presença de bases militares estrangeiras, nomeadamente no Djibuti, e a crescente intervenção de actores do Médio Oriente condicionam os equilíbrios regionais”.




