O continente africano ganha, a partir de hoje, um novo espaço de concertação económica com o lançamento do “Alamein Africa Forum-GO63”. A plataforma foi concebida para impulsionar parcerias estratégicas, desenhar políticas integradas e viabilizar projectos capazes de transformar as aspirações da Agenda 2063 da União Africana em resultados económicos práticos e tangíveis.
A edição inaugural do certame, estabelecido por mandato da União Africana, que arranca hoje na cidade egípcia de New Alamein, visa definir a trajectória de desenvolvimento do continente para a próxima década.
Situada no litoral mediterrânico do Egipto, a cerca de 300 quilómetros a noroeste do Cairo, a nova cidade passará a acolher o evento de dois em dois anos.
Co-organizada pelo Governo egípcio, pelo Banco Africano de Exportação e Importação (Afreximbank) e pela Agência de Desenvolvimento da União Africana (AUDA-NEPAD), com a União Africana na qualidade de co-convocadora, a primeira edição do “Alamein Africa Forum-GO63” vai reunir mais de 20 Chefes de Estado e de Governo, representantes governamentais, dirigentes de instituições financeiras africanas e internacionais, investidores e empresários.
O evento foi estruturado para aproximar os principais decisores políticos, instituições financeiras, investidores e líderes do sector privado, promovendo debates estratégicos sobre os desafios e as oportunidades para o desenvolvimento económico do continente africano.
A iniciativa diferencia-se das cimeiras exclusivamente políticas ao integrar, na mesma plataforma, decisões governamentais, financiamento, investimento e a execução prática de projectos. O modelo visa acelerar a concretização das prioridades estratégicas e o desenvolvimento do continente africano.A agenda de debates abrange sectores estratégicos como Infra-estruturas, Comércio intra-africano, Minerais Críticos e Energia. Estão também sob análise a Transformação Digital, Indústria e Manufactura, Saúde, Financiamento do Desenvolvimento, além de novas indústrias e a consolidação da integração económica africana.
O objectivo, tal como precisa a organização, é ultrapassar a fase das declarações e das prioridades políticas, para promover parcerias estratégicas, mobilização de recursos financeiros, investimentos e implementação de projectos concretos, com impacto no crescimento económico e na integração regional.
A organização esclarece que o conceito do Fórum assenta na articulação entre políticas públicas, capital, investimento, execução de projectos e resultados económicos.
Seis grandes objectivos
Inicialmente agendado para Junho de 2026, o Fórum definiu seis metas estratégicas: alinhar a política aos investimentos, mobilizar parcerias, reforçar financiamentos, impulsionar o comércio intra-africano, integrar sectores emergentes e monitorizar de perto os resultados alcançados.
O certame vai ser antecedido por eventos paralelos, que vão abordar, entre outros temas, a questão do financiamento agrícola e pequenos agricultores, organizado pelo Ministério egípcio da Agricultura e pela FAO, em Aswan.
Alamein acolhe Cimeira da AUDA-NEPAD e Reunião Semestral da UA
A cidade egípcia de New Alamein, palco do “Alamein Africa Forum-GO63”, vai acolher, também, por esses dias, a Cimeira dos Chefes de Estado fundadores da AUDA-NEPAD e a 8.ª Reunião de Coordenação Semestral entre a União Africana, as Comunidades Económicas Regionais e os Mecanismos Regionais, sendo a primeira agendada para amanhã e a segunda para domingo.
O Chefe de Estado angolano, João Lourenço, vai marcar presença nos dois eventos.
A Reunião de Coordenação Semestral funciona como um fórum de alto nível concebido para articular as estratégias da União Africana (UA) com as das Comunidades Económicas Regionais do continente.
Instituída em 2017 para substituir as antigas cimeiras de Junho/Julho, a reunião tem como finalidade central harmonizar o trabalho destas instituições e acelerar a implementação da agenda de integração africana.
Enquanto a Cimeira Anual da UA constitui o grande palco onde os Chefes de Estado tomam as decisões macro do continente, a chamada Reunião de Meio do Ano actua na engrenagem prática: monitoriza, coordena e viabiliza a execução dessas deliberações.
Este alinhamento estratégico é feito em parceria directa com blocos regionais fundamentais, tais como a SADC, CEDEAO, CEEAC, COMESA e EAC, além de outras estruturas reconhecidas no quadro geopolítico africano.
César Esteves | New Alamein




