Novos protestos pela libertação de presos políticos

Luanda deverá ser novamente palco de protestos este sábado (28.03), sob a palavra de ordem “resistência”. Desta vez, pela libertação dos presos políticos Serrote de Oliveira, André Miranda e Osvaldo Caholo.
Luanda deverá ser novamente palco de protestos este sábado (28.03), sob a palavra de ordem "resistência". Desta vez, pela libertação dos presos políticos Serrote de Oliveira, conhecido por "General Nila”, André Miranda e Osvaldo Caholo, detidos em julho de 2025 no contexto dos violentos protestos contra o aumento do preço dos combustíveis. Um deles, "General Nila”, encontra-se detido sem acusação formal, o que constitui uma violação da lei.
Há anos que as manifestações deixaram de causar impacto em Angola; contudo, os organizadores continuam a considerá-las uma "ferramenta de luta válida”, por as entenderem como o último recurso contra um Governo contestado.
Os protestos são organizados pelo Fúria 99, UNTRA e Juventude Bloquista. Pedro Paka, líder do Fúria 99, começa por responder à DW sobre as motivações da manifestação, numa altura em que já decorre o julgamento de um dos detidos, Osvaldo Caholo.
DW África: O que origina esta manifestação, quando ainda decorre o julgamento?
Pedro Paka (PP): O facto de estar a decorrer o julgamento de Osvaldo Caholo não impede a realização dessa manifestação, porque a manifestação foi anunciada muito antes de terem marcado a data do julgamento de Osvaldo Caholo.
E, no momento em que a juíza indefere o pedido do advogado de alteração da medida, dizendo que a liberdade de Osvaldo Caholo compromete a paz social, então não há motivo para recuarmos na realização desta manifestação.
Também o General Nila, até ao momento, continua sem acusação formal. André Miranda tem acusação formal, mas ainda não tem data de julgamento.
DW África: A Polícia está informada dos protestos?
PP: Entregámos a carta ao governo provincial no dia 19 de fevereiro, a dar a conhecer a realização dessa manifestação. Quanto a essa questão a lei é clara, as reuniões e manifestações em locais públicos carecem apenas de prévia comunicação e não de autorização.
DW África: Face a uma ausência de resposta do Governo aos vossos sucessivos apelos de libertação, considera os protestos uma arma de luta ainda válida?
PP: Ainda consideramos as manifestações como uma ferramenta de luta válida. Porque, se não formos por esse caminho, já não sabemos qual é o caminho que pode funcionar para nós. Quando prendem ativistas por causa das suas opiniões, quando prendem um ativista por simplesmente estar a filmar, estão a matar o espaço cívico, estão a matar o Estado Democrático de Direito. Estão a violar os tratados internacionais.
DW África: Em 2027 Angola vai a votos, não acha que o Governo do MPLA vai baixar a guarda por motivos eleitoralistas?
PP: Não podemos olhar para isso de ânimo leve e calar não é a solução. Assim como o cantor Valete dizia "se for para morrer, morremos de pé e nunca de joelhos".
Esse é o Governo. Se o Governo vai recuar por causa do pleito eleitoral em 2017 isso não nos importa. O mais importante para nós é que ele liberte os presos políticos, porque nós não podemos ir a eleições com presos políticos.
Portanto, dia 28 de março vamos todos às ruas em massa em prol da liberdade dos presos políticos. Concentração no Mercado São Paulo às dez horas, rumo ao Largo dos Ministérios. Resistência".
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