ONU alerta para o risco de extinção de 50 espécies marinhas até 2100

O Secretário-Geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres, afirmou, ontem, em Nice, França, que mais de 50 por cento das espécies marinhas correm o risco de extinção, até 2100, devido à poluição plástica, perda de ecossistemas marinhos e aumento das temperaturas oceânicas.
Ao intervir na abertura da III Conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos (UNOC3), em que participam as ministras angolanas do Ambiente, Ana Paula de Carvalho, e das Pescas e Recursos Marinhos, Carmen do Sacramento Neto, o Secretário-Geral da ONU divulgou dados alarmantes sobre o estado dos oceanos mundiais, revelando que “os oceanos produzem pelo menos 50 por cento do oxigénio do Planeta e absorvem 30 por cento do carbono gerado por actividades humanas”.
“A poluição plástica está a acabar com cardumes, levando à perda de ecossistemas marinhos, assim como ao aumento da temperatura que eleva o nível do mar”, alertou António Guterres, apelando a investimentos massivos na ciência oceânica e conservação marinha.
Na qualidade de co-anfitrião, o Presidente francês, Emmanuel Macron, fez uma critica directa aos países que negam as alterações climáticas, declarando que as questões oceânicas e climáticas “não são uma questão de opinião, mas estão cientificamente estabelecidas”.
O Presidente francês prometeu “decisões fortes” nos próximos dias em parceria com outros governos para mobilizar a comunidade internacional.
Angola participa na Conferência com delegações ministeriais dos sectores do Ambiente e das Pescas, devendo abordar a importância estratégica dos recursos marinhos para o desenvolvimento económico sustentável do país, bem como reafirmar o compromisso do país com a governança oceânica responsável e o desenvolvimento da economia azul.
Angola junta-se, assim, a outros países africanos na discussão sobre políticas de pesca sustentável, conservação da biodiversidade marinha e gestão responsável dos recursos oceânicos.
A Conferência decorre até sexta-feira e está estruturada em 10 painéis temáticos, que abordarão questões desde a poluição por plásticos até à conservação de ecossistemas marinhos.
A Conferência visa acelerar a ratificação do Tratado do Alto-Mar e estabelecer compromissos concretos para a protecção de 30 por cento dos oceanos mundiais até 2030.
Entre os objectivos principais está a mobilização de pelo menos 40 milhões de empregos na indústria oceânica até 2030, demonstrando o potencial da economia azul para gerar desenvolvimento económico sustentável.
A Conferência prossegue nos próximos dias com a apresentação do Pacto Europeu para os Oceanos e discussões sobre financiamento para conservação marinha. Espera-se que mais países anunciem a ratificação do Tratado do Alto-Mar, aproximando-o das 60 ratificações necessárias para entrada em vigor.



