No seu discurso na Assembleia Geral, o Presidente angolano João Lourenço criticou a "anarquia mundial" baseada na "lógica da força" que gera os atuais conflitos e defendeu uma nova governança na ONU para restaurar paz.
"Vivemos hoje num ambiente de anarquia mundial em que o uso da força impera sobre a força da razão e da lei, em flagrante oposição das normas que regem as relações internacionais", afirmou o chefe de Estado angolano.
João Lourenço discursava, esta terça-feira (22.09), na tribuna da Assembleia Geral das Nações Unidas, no primeiro dia da 81 sessão que decorre até 28 de setembro, em Nova Iorque, sob o lema "Restaurar a confiança, gerir a transformação: uma Organização das Nações Unidas ao serviço de todos".
O chefe de Estado angolano começou por condenar o terrorismo em todas as suas formas para acrescentar que, "para além do terrorismo que continua ativo em alguns países, particularmente em África, a situação de paz e segurança mundiais vêm-se agravando ano após ano".
A instabilidade em várias regiões do mundo é, para João Lourenço, "uma consequência direta desta postura» e apontou os conflitos que se desenrolam na Europa, no Médio Oriente, no Golfo Pérsico e em África, enquanto cresce também a tensão na região da Ásia-Pacífico.
"A tentativa de dominação pela força das armas de países e regiões inteiras do globo vem conduzindo o mundo para uma situação de catástrofe", considerou, destacando que "a situação de segurança alimentar, energética e humanitária dos países e do mundo em geral piorou consideravelmente depois do eclodir das guerras" como as da Ucrânia e do Irão.
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"Nova ordem mundial mais democrática"
João Lourenço apontou "o envolvimento direto de alguns membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas nos conflitos mais sangrentos e destruidores da atualidade na Europa e no Golfo Pérsico, o que constitui motivo de preocupação e um mau exemplo para o resto do mundo".
"Num momento em que muito se defende a boa governação dos países, também na governança do mundo se clama por uma nova ordem mundial mais democrática e justa, que não se baseie apenas no poder do restrito clube dos vencedores de uma guerra que teve lugar há oito décadas", afirmou.
O Presidente de Angola defendeu que "se torna cada vez mais premente e urgente que se proceda a uma reforma profunda do Conselho de Segurança das Nações Unidas, no qual a África, a América Latina e a Ásia deverão estar adequadamente representados, na condição de membros permanentes com todos os poderes inerentes".
O chefe de Estado angolano referiu ainda "a necessidade de fazer uma profunda reflexão em sede das Nações Unidas, a única instituição do planeta com legitimidade, e que alberga todas as Nações do Mundo, para se encontrarem as melhores soluções para o alcance da paz global".




