A ministra do Ambiente, Ana Paula de Carvalho Pereira, apresentou na sede da ONU, em Nova Iorque, a visão de Angola para uma transição energética justa, capaz de conciliar a acção climática com as necessidades de desenvolvimento do país.
Segundo um comunicado, na Reunião de Alto Nível sobre a Elevação do Nível do Mar, realizada no âmbito da 81.ª Sessão da Assembleia-Geral-das Nações Unidas, a ministra afirmou que este fenómeno já afecta populações, cidades, ecossistemas e economias.
Ana Paula de Carvalho Pereira defendeu uma resposta integrada à elevação do nível do mar, que proteja as comunidades costeiras, as infra-estruturas e os meios de subsistência das populações.
A governante sublinhou que as consequências são particularmente severas para os pequenos Estados insulares em desenvolvimento e para os países com zonas costeiras de baixa altitude.
Para Angola, o desafio assume especial relevância devido aos seus cerca de 1.650 quilómetros de litoral atlântico, onde se concentram comunidades, centros urbanos, portos, infra-estruturas energéticas e de transporte, actividades pesqueiras e ecossistemas costeiros. O litoral constitui também um espaço de oportunidades para a Economia Azul.
Ana Paula de Carvalho Pereira alertou que a elevação do nível médio do mar, associada à erosão costeira, às inundações, às tempestades e à intrusão salina poderá agravar a vulnerabilidade das comunidades e infra-estruturas angolanas, além de exercer maior pressão sobre a segurança alimentar e o desenvolvimento económico.
Perante estes riscos, Angola defendeu uma abordagem que combine engenharia, ciência e soluções baseadas na natureza, para tornar a costa mais segura e as comunidades mais resilientes. “Proteger a costa é, em última instância, proteger as pessoas, os seus meios de subsistência e o seu direito a um futuro seguro”, afirmou a ministra.
A governante abordou, também, as prioridades energéticas de Angola na Reunião de Alto Nível sobre Acção Climática e Transição Justa, convocada pelo Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres. Nesta reunião, interveio em representação de Sua Excelência João Manuel Gonçalves Lourenço, Presidente da República.
Na ocasião, defendeu que a resposta às alterações climáticas deve caminhar a par da segurança energética, da redução das desigualdades e da melhoria das condições de vida das populações. Destacou ainda que, para Angola, a transição energética constitui uma oportunidade para diversificar a economia, criar emprego, desenvolver novas cadeias de valor e promover a industrialização.
Segundo os dados apresentados pela ministra, em 2024, Angola atingiu uma capacidade instalada de geração de 6.284 megawatts, composta por 60% de energia hidroeléctrica, 34% de energia térmica, 5% de energia solar e 1% de geração híbrida.




