A secretária de Estado para o Ensino Superior, Alice de Fátima e Almeida, afirmou sexta-feira, em Luanda, que para Angola a paz assume um significado especial.
Ao intervir na abertura do diálogo sobre “Água, Educação e Cultura de Paz em África”, inserido na 4.ª Bienal de Luanda, a governante sublinhou que a reconciliação nacional demonstrou que a estabilidade exige diálogo, confiança, inclusão e oportunidades para todos.
Esta visão, destacou, alinha-se à “Aspiração 4 da Agenda 2063 da União Africana”, que projecta um continente pacífico e seguro através da resolução pacífica de diferendos.
Nesse sentido, apontou a água como um elemento crucial para a cooperação regional. Em Angola, a gestão hídrica é sustentada por um ecossistema legal robusto, que inclui a Lei das Águas, a Lei de Bases do Ambiente e o Plano Nacional da Água.
A governante estabeleceu um nexo directo entre a gestão cooperativa de bacias partilhadas e o Objectivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 6 da Agenda 2030 da ONU, com ênfase na meta 6.5, focada na cooperação transfronteiriça.
A nível continental, enalteceu o papel da Visão e Política Africana da Água 2063, adoptada pela União Africana em Fevereiro de 2026, que eleva o saneamento, a resiliência climática e a gestão de rios comuns a prioridades estratégicas.
“A água partilhada deve ser um factor de aproximação entre os povos por meio do diálogo, da solidariedade e do recurso à ciência para fundamentar as decisões políticas”, afirmou.
Angola partilha bacias estratégicas com países vizinhos, com realce para os rios Cubango-Okavango, Zambeze e Cuvelai.
Sob a perspectiva do MESCTI, o ensino superior, a ciência, a tecnologia e a inovação desempenham um papel de primeira grandeza na consolidação da estabilidade regional e do progresso social.
A secretária de Estado sublinhou que as universidades e os institutos de investigação angolanos detêm a capacidade técnica e intelectual de desenvolver soluções inovadoras para os prementes desafios ambientais.
Além disso, estas instituições funcionam como eixos para promover o intercâmbio científico transfronteiriço e, fundamentalmente, para formar quadros jovens dotados de pensamento crítico e comprometidos com a construção de sociedades mais justas, inclusivas e pacíficas.
Para operacionalizar essa visão de forma prática, Alice de Fátima e Almeida defendeu uma articulação directa e permanente entre o MESCTI, os órgãos reguladores do sector das Águas, a academia e as comunidades locais.
Esta sinergia multissectorial é vista pelo ministério como o caminho ideal não só para desenhar soluções tecnológicas e de engenharia adaptadas à realidade geográfica e climática de cada região, mas também para enraizar uma cultura comunitária de preservação e uso responsável dos recursos hídricos.
Na prática, esta cooperação permite cruzar os dados dos sistemas de monitorização climática com o conhecimento académico, resultando na criação de sistemas de irrigação ecoeficientes, barragens de retenção de pequena escala e tecnologias de purificação de baixo custo.
Mais do que transferir tecnologia, o modelo foca na capacitação dos cidadãos locais, transformando-os em agentes activos na fiscalização e na manutenção das linhas de água que abastecem as suas próprias comunidades.
Este processo de apropriação social do conhecimento garante que as popuações não sejam meras receptoras passivas de infra-estruturas, mas sim guardiãs dos seus próprios recursos.
Ao receberem formação técnica básica sobre monitorização de caudais, detecção de perdas e controlo da qualidade da água, os moradores locais adquirem autonomia para gerir os sistemas de captação de forma sustentável, fortalecendo a governança participativa e assegurando que o investimento público tenha um impacto duradouro e autossuficiente no terreno.
Ao encerrar a sua alocução, a governante fez uma retrospectiva histórica, lembrando que o próprio percurso de reconciliação de Angola confirma que a paz não é um estado estático, mas sim um bem colectivo que se constrói e se protege diariamente por meio da educação e do compromisso partilhado.




