Angola prevê instalar água da rede pública em todas as instituições de ensino e unidades hospitalares do país até 2030, bem como melhorar e garantir a oferta de serviços sustentáveis à população nas zonas rurais e urbanas.
A garantia foi expressa, ontem, em Luanda, pelo ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges, durante a intervenção na sessão de abertura da 4.ª edição da Bienal de Luanda-Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz e Não-Violência, que encerra hoje.
João Baptista Borges, que interveio no painel sobre “Água, paz e cooperação transfronteiriça, prevenção, mediação e resolução de conflitos através de diplomacia da água, integração regional e de uma cultura de paz”, assegurou que tudo está a ser feito para que dentro de quatro anos as escolas e hospitais do país tenham água da rede pública.
De acordo com o ministro, está em curso um esforço significativo em infra-estruturas, formação de quadros e captação de financiamentos sustentáveis. Este conjunto de acções será decisivo para consolidar o projecto estruturante no sector das Águas.
O sucesso na distribuição de água à população, esclareceu, exige não apenas vontade política, mas também pressupostos de natureza técnica e profissional, além da garantia de sustentabilidade dos serviços.
“Queremos, desde já, dar um passo de grande importância para garantir que, até 2030, todos os hospitais e escolas públicas tenham água da rede, além de elevar significativamente o abastecimento à população em todo o país”, ressaltou.
Segundo o ministro da Energia e Águas, além da existência de fontes de financiamento sustentáveis, têm surgido novas instituições de ensino voltadas para a formação em engenharia hidráulica. Esta expansão académica visa garantir a melhoria contínua dos serviços prestados ao cidadão.
Relativamente ao tema do painel da Bienal, partilhado com o secretário executivo da Comissão da Bacia de Logo Chade, Ibrahim Babani, o ministro angolano explicou que a antecipação na gestão da água e a capacitação de quadros são exemplos de diplomacia e integração regional.
Na visão de João Baptista Borges, o grande desafio que África enfrenta reside na garantia de acesso à água potável para mais de 400 milhões de habitantes que, até ao momento, continuam privados deste recurso essencial.
A antecipação na gestão da água, reforçou o ministro, é um dos eixos através dos quais Angola tem desenvolvido a sua diplomacia com os países da região austral do continente. Esta actuação abrange a coordenação partilhada de importantes bacias hidrográficas, nomeadamente as do Zaire, do Cuango, do Zambeze, do Okavango e do Cunene, cujo projecto transfronteiriço beneficia directamente as populações do Sul de Angola e do Norte da Namíbia.
O titular do sector da Energia e Águas ressaltou, ainda, que 90 por cento dos recursos hídricos em África são partilhados, sendo que Angola, por exemplo, integra cinco comissões de gestão, com vista à promoção da paz e estabilidade regional.
Estabilidade no Sahel
Durante o debate, o secretário-executivo da Comissão da Bacia do Logo Chade, Ibrahim Babani, considerou que um dos grandes objectivos dos países da região do Sahel é restituir a estabilidade civil e incluir os ex-militares na gestão dos recursos hídricos.
A Comissão da Bacia do Lago Chade, explicou o secretário-executivo, descobriu que a partilha de informações sobre as águas subterrâneas e superficiais existentes na região são um caminho de estabilidade política, social, económica e cultural das populações.
No entender do também embaixador, a capacitação dos beneficiários e a inclusão dos ex-militares na gestão dos recursos hídricos“são uma forma de prevenir e resolver conflitos no continente”.




