O Palácio de Convenções de Luanda, inaugurado segunda-feira pelo Presidente da República, representa um investimento público de 290,8 mil milhões de kwanzas e gerou 4.500 postos de trabalho directos durante a sua construção.
Os dados foram revelados pelo ministro das Obras Públicas, Urbanismo e Habitação, Carlos Alberto dos Santos, tendo sublinhado a complexidade técnica da empreitada, construída numa área que, até Novembro de 2023, era literalmente mar.
A execução da obra, segundo o ministro, exigiu “a reclamação ao mar” de aproximadamente 943 mil metros cúbicos de terra, bem como a utilização de 1.400 estacas, com uma altura média de 20 metros.
Erguido numa área de domínio público, o maior centro de convenções do país insere-se no Projecto LUNDU, um plano mais amplo de requalificação urbana da zona da Chicala, que prevê a criação de um pólo de turismo, lazer e negócios, integrando espaços culturais, museus, restaurantes, serviços, terminais marítimos e áreas de desenvolvimento económico e social.
Nesta perspectiva, o ministro apontou a necessidade de harmonizar o investimento público para a construção da infra-estrutura com o investimento privado, como um dos grandes desafios enfrentados durante a execução do projecto.
Apesar disso, Carlos Alberto dos Santos ressaltou a importância da contribuição do sector privado para a criação de um ecossistema de serviços económicos e financeiros em torno da infra-estrutura.
Para o ministro, a dimensão do projecto exigiu uma intervenção articulada de vários sectores do Executivo, não se limitando ao Ministério das Obras Públicas, Urbanismo e Habitação.
Na sua perspectiva, a conclusão do Palácio de Convenções demonstra que, “quando existe vontade política, capacidade técnica, organização e sentido de missão”, é possível realizar grandes projectos de infra-estruturas no país.
Apesar da inauguração do empreendimento, o ministro considerou que o verdadeiro desafio começa agora, com a necessidade de transformar o Palácio de Convenções num instrumento efectivo de desenvolvimento económico.
A utilidade da infra-estrutura, defendeu, não deve ser medida apenas pela área construída, mas também pela capacidade, flexibilidade, localização, serviços e experiência proporcionada aos utilizadores.
Turismo de negócios entra em nova fase
O ministro do Turismo, Márcio Daniel, considerou, por sua vez, que a entrada em funcionamento do Palácio de Convenções vai permitir consolidar a posição de Angola como destino de turismo de negócios em África.
Márcio Daniel lembrou que o Executivo já criou uma estratégia para dinamizar o turismo de eventos, incluindo a marca “Meet in Angola” e o Angola Convention Bureau (ACB), que estabeleceu uma parceria com a Associação Internacional de Congressos e Convenções (ICCA).
A estratégia, segundo o ministro, pretende assegurar que o Palácio de Convenções tenha uma utilização permanente e não fique limitado à realização de eventos promovidos pelo Estado.
O Angola Convention Bureau, continuou, terá como missão procurar activamente grandes eventos internacionais para o país, através de contactos com organizadores e instituições que já possuem orçamento e calendário para a realização de congressos e conferências.
De acordo com o governante, a estratégia vai envolver não apenas o Palácio de Convenções, mas todo o ecossistema associado ao turismo de negócios, incluindo hotéis, empresas de transporte, serviços de transferência, guias turísticos e intérpretes.
O governante reconheceu a forte concorrência de outros destinos africanos, citando centros de convenções da Cidade do Cabo, Rwanda, Quénia, Tanzânia e Egipto, mas considerou que Angola reúne condições para entrar nesta disputa pela realização de grandes eventos internacionais.




