Angola e as Nações Unidas destacaram, terça-feira, os progressos significativos alcançados na cooperação bilateral nos sectores económico e social, no âmbito da implementação do Quadro de Cooperação para o Desenvolvimento Sustentável 2024-2028.
A redução da mortalidade materna, a criação de empregos formais e a expansão dos serviços públicos para cerca de nove milhões de cidadãos foram alguns dos avanços destacados pelo secretário de Estado do Planeamento, Luís Epalanga, no âmbito desta cooperação. De acordo com o secretário de Estado, que falava na abertura da reunião alargada do Comité Conjunto de Direcção do Quadro de Cooperação das Nações Unidas, outro avanço relevante ocorreu no sector da Saúde, com a vacinação de 3.600 crianças contra a poliomielite. Luís Epalanga destacou, ainda, o crescimento económico de 3,13 por cento, em 2025, e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 5, 32 por cento no primeiro trimestre deste ano, impulsionado pelo sector não petrolífero. “O Quadro de Cooperação das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável 2024-2028 constitui o principal instrumento de parceria entre o Governo de Angola e a ONU para apoiar a implementação dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável e a Agenda 2030”, referiu o governante durante o evento, cujo tema central foi “Acelerar os Resultados do Desenvolvimento Sustentável através do Financiamento e Crescimento Inclusivo”. Durante a reunião, foi apresentado o relatório anual com os resultados do Quadro de Cooperação, sendo avaliados os progressos, desafios, oportunidades e as prioridades para os próximos anos. O secretário de Estado explicou que acelerar os resultados do desenvolvimento sustentável por meio de parcerias e financiamento inclusivo exige o reforço da coordenação interinstitucional, a ampliação da participação do sector privado e o alinhamento rigoroso dos projectos com as metas estratégicas do Governo angolano. Segundo Luís Epalanga, a implementação deste programa assenta na liderança do Governo angolano, ao qual cabe definir as prioridades nacionais de desenvolvimento, orientar as políticas públicas e mobiliza os parceiros em prol de objectivos comuns. Neste contexto, o secretário de Estado sublinhou que a ONU é um parceiro estratégico fundamental, cujo papel complementa os esforços nacionais por meio de assistência técnica, mobilização de recursos, inovação e partilha de conhecimento. Entre os desafios apontados por Luís Epalanga no domínio da infância, destaca-se o elevado número de crianças fora do sistema de ensino. No que concerne às parcerias, o secretário de Estado sublinhou a necessidade urgente de captar mais recursos para financiar o desenvolvimento sustentável, mobilizando o sector privado, a sociedade civil e outros parceiros de cooperação para o cumprimento da Agenda 2030. Para o presente ano, o orçamento disponibilizado fixou-se em 115 milhões de dólares. Coordenadora das Nações UnidasA coordenadora residente da ONU em Angola, Amanda Khozi Mukwashi, destacou os quatro pilares estratégicos da cooperação com o Governo angolano: Pessoas, Planeta, Paz e Prosperidade. Na ocasião, a diplomata sublinhou a importância da execução destas directrizes, com ênfase no trabalho estrutural que vem sendo desenvolvido na área da segurança alimentar. “Estamos a desenvolver acções conjuntas com os Ministérios da Agricultura e do Ambiente para apoiar os agricultores, especialmente face aos impactos das alterações climáticas. É fundamental garantir esse suporte”, enfatizou a responsável das Nações Unidas. Amanda Khozi Mukwashi esclareceu que o propósito da ONU com esta parceria estratégica é garantir que nenhum cidadão seja deixado para trás. A diplomata explicou, ainda, que o Programa de Cooperação viabiliza uma intervenção directa nas províncias, permitindo alcançar o maior número de beneficiários em diversas localidades através do esforço coordenado com o Governo, a sociedade civil e o sector privado. Criados 63 mil empregosNo âmbito do Quadro de Cooperação com as Nações Unidas, Angola registou a criação de mais de 63 mil novos postos de trabalho formais durante o primeiro trimestre deste ano. O indicador reflecte o impacto direto das acções conjuntas voltadas para o financiamento inclusivo e para o fomento das capacidades produtivas nacionais, com especial incidência no sector privado e no empreendedorismo jovem.




