Uma delegação do Partido Liberal denuncia ter sido alvo de agressões e danos materiais no município do Longa, província do Cubango, durante uma deslocação destinada a contactar as comunidades e conhecer as dificuldades da população.
Segundo o vice-presidente do partido, Daniel Pereira, o incidente resultou em ferimentos em dois membros da comitiva, no desaparecimento de um telemóvel e em danos nas viaturas, incluindo a que transportava o próprio dirigente. As acusações foram feitas pelo responsável político, que considera que o episódio teve motivação política.
A deslocação ao Longa fazia parte de uma jornada de mobilização e aproximação aos cidadãos eleitores nas províncias do Cubango e Cuando. O Partido Liberal tinha previsto realizar encontros com comunidades locais para recolher preocupações e apresentar as propostas da formação política.
Daniel Pereira relata que o incidente começou depois de uma jovem ter acusado um membro da delegação de fotografá-la. O dirigente afirma que a equipa tentou esclarecer a situação, chegando a mostrar a fotografia à jovem, mas a discussão terá aumentado de intensidade com a concentração de outros jovens no local.
De acordo com o vice-presidente do Partido Liberal, um dos jovens terá retirado um telemóvel pertencente à delegação e recusado devolvê-lo. Poucos minutos depois, segundo o relato, outros jovens aproximaram-se munidos de paus e outros objectos, numa situação que obrigou os membros da comitiva a abandonar rapidamente o local.
“De repente apareceram muitos jovens com objectos contundentes a tentar agredir os membros da nossa delegação”, relatou Daniel Pereira.
O responsável afirma que dois membros da comitiva foram fisicamente agredidos. Um deles, identificado como secretário provincial adjunto do partido, terá ficado ferido e ensanguentado, enquanto outro membro foi atingido com paus. A viatura do vice-presidente também terá sido atingida por pedras e paus durante a fuga.
Daniel Pereira questiona ainda a actuação dos efectivos policiais que, segundo o seu relato, se encontravam nas proximidades do local. O dirigente afirma que o episódio ocorreu a cerca de 60 metros do Comando Municipal da Polícia e na presença de agentes do Serviço de Investigação Criminal, sem que tivesse havido, segundo a sua versão, uma intervenção para travar as agressões.
O vice-presidente levantou igualmente suspeitas sobre a eventual motivação política do incidente, referindo que a jovem que iniciou a discussão estaria trajada com uma camisola do MPLA. A alegação, contudo, é apresentada pelo dirigente do Partido Liberal e não foi acompanhada, até ao momento, de uma versão das autoridades ou dos envolvidos no incidente.
Daniel Pereira relacionou ainda o episódio com dificuldades que a delegação afirma ter encontrado durante a sua passagem por Menongue. Segundo o responsável, o partido havia comunicado previamente às autoridades a sua agenda e apresentado a respectiva nota de viagem e o cronograma das actividades.
“Não há razões para que a província do Cubango seja palco para intolerância política”, afirmou o dirigente, defendendo maior coordenação entre as forças políticas e os órgãos de defesa e segurança.
A deslocação do Partido Liberal às províncias do Cubango e Cuando enquadra-se numa agenda de mobilização e implantação da formação política junto das comunidades. A actividade foi anunciada no início desta semana pelo partido e inclui contactos com entidades locais e acções de aproximação às populações.
O Partido Liberal, liderado por Luís de Castro, tem vindo a reforçar a implantação territorial da formação política com vista às eleições gerais de 2027. Daniel Pereira ocupa a vice-presidência para os Assuntos Políticos, Jurídicos e Eleitorais da organização.
Até ao momento, não foi apresentada nesta informação uma versão da Polícia Nacional, do SIC ou dos cidadãos envolvidos sobre as acusações feitas pela delegação do Partido Liberal.




