Pedido de suspensão de João Lourenço tem pernas para andar?

Um membro influente do partido no poder em Angola pediu a suspensão de João Lourenço da presidência do MPLA. No entanto, analistas ouvidos pela DW consideram improvável que o pedido seja aceite.
Valdir Cónego, militante do Movimento Popular de Libertação de Angola(MPLA), com funções suspensas no Comité Central, requereu ao Tribunal Constitucional, através de uma providência cautelar, a suspensão do atual Presidente, João Lourenço, da liderança partidária.
Cónego fez saber que a decisão resulta do facto do Comité Central do partido não ter respondido a uma carta que enviou há mais de 45 dias, na qual pedia a convocação de uma reunião extraordinária para se discutir a liderança interna.
Para o militante que já manifestou publicamente a intenção de se candidatar à presidência do MPLAdurante o Congresso Ordinário em novembro, a gestão partidária de João Lourenço está a levar o partido ao descrédito e a conduzir o país para um colapso social, onde a fome, a miséria e a pobreza extrema assolam mais de 25 milhões de cidadãos.
Jurista defende legalidade do pedido
À DW, o jurista e docente universitário Agostinho Canando diz que o pedido de suspensão remetido ao Tribunal Constitucional pelo militante Valdir Cónego é um expediente normal nos partidos políticos, com respaldo estatutário e na Constituição.
"Em princípio, nada obsta. Mas, tal como sabemos, o MPLA é um partido de matriz socialista/comunista. E os partidos dessa matriz vetam os direitos dos militantes”, afirmou.
O politólogo Anselmo Kundumula acrescenta que, ao requerer ao Tribunal Constitucional a suspensão do presidente do seu partido, Valdir Cónego assume uma posição de coragem em nome de muitos militantes descontentes com a atual liderança.
"Se nós formos a fazer um levantamento, vamos ver que a maioria está descontente com o desempenho de João Lourenço, enquanto presidente do partido. Se estendermos pelo país, então ele não tem mesmo hipótese”, disse.
Ceticismo sobre atuação do Tribunal
Questionado sobre o que esperar da atuação do Tribunal Constitucional neste caso, Agostinho Canando mostrou-se cético quanto à imparcialidade da instituição.
"Por conta daquilo que já nos habituou, o Tribunal Constitucional não faz aquilo a que nós chamamos vontade do povo. Costuma mais estar ao serviço do partido [no poder] e do seu líder", declarou.
A mesma visão é partilhada por Anselmo Kundumula. "Não temos qualquer certeza de que venha dar alguma coisa em termos de tratamento jurídico-constitucional", observou.
Até ao momento, o Secretário para Informação e Propaganda do Bureau Político do MPLA não se pronunciou sobre a petição.
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