Pólo da Quiminha, um dos maiores do país, fica sob gestão da Omatapalo até 2035

A Agri Mumba, empresa que integra o universo do grupo Omatapalo, vai manter-se na gestão do pólo industrial da Quiminha até 2035, apurou o Valor Económico junto de fontes ligadas ao projecto. Considerada uma das maiores e mais tecnológicas infra-estruturas agrícolas do país, a Quiminha estabiliza assim a sua liderança, depois de ter passado por vários modelos de gestão nos anos anteriores. O Governo considera o desempenho da empresa gestora como "positivo".
Localizado no município de Icolo e Bengo, na província de Luanda, o projeto foi desenhado para combater a dependência de importações e modernizar o setcor agropecuário do país. Com a aprovação em 2010 e arranque das obras em 2012, o Pólo Agro Industrial da Quiminha foi concebido para criação de aves, produzir ovos e vários tipos de vegetais. O acordo (2020-2035) foi celebrado entre a Agri Mumba e a Empresa de Gestão de Terras Aráveis de Angola (Gesterra), com o objectivo de explorar e dar outra dinâmica ao projecto. Sem revelar as condições do contrato, o PCA da Gesterra, Carlos Paim, garante que, durante os últimos quatro anos, a nova gestora tem criado "um impacto positivo com a geração de emprego e até mesmo com o apoio social às comunidades vizinhas". Já o grupo Omatapalo assegura que o contrato permite à Agri Mumba garantir a gestão operacional da fazenda, implementar investimentos na modernização das infra-estruturas, aumentar a capacidade produtiva e adoptar as melhores práticas de gestão agrícola e industrial, em alinhamento com os objectivos estratégicos definidos para o Pólo Agro-Industrial da Quiminha. Numa das visitas do ex-Presidente da República, José Eduardo dos Santos, em 2016, foi-lhe garantido que além da produção agrícola a fazenda produziria 22 milhões de ovos e vários tipos de vegetais em grandes quantidades (aproximadamente 25 mil toneladas de produtos por ano). No local, o Valor Económico verificou meios humanos (maioritariamente oriundos do sul de Angola) e máquinas em movimento. A fazenda está a expandir as áreas de pomar, com destaque para a manga, o maracujá, a pitaya e a banana, e a introduzir novas culturas, como a melancia, o melão e o feijão. Esta estratégia, segundo a Agri Mumba, é orientada para a diversificação da produção, o aumento da produtividade e o reforço da oferta de bens agrícolas produzidos em Angola. A explorar o espaço desde 2020, o grupo Omatapalo garante que a sociedade Agri Mumba assumiu a gestão da Fazenda Quiminha com uma perspectiva de longo prazo, assente em três pilares fundamentais: eficiência operacional, sustentabilidade económica e criação de valor para o sector agrícola nacional. O grupo sublinha, no entanto, que ainda há desafios por ultrapassar, tais como as falhas nos sistemas de abastecimento de energia eléctrica e de água, que afectam diversas culturas e impedem o pleno funcionamento das infra-estruturas a montante.


