Possível candidatura de Miala à PR leva Marcolino Moco a defender aprofundamento da reconciliação nacional

Luanda - A eventual candidatura do chefe do Serviço de Inteligência e Segurança do Estado (SINSE), Fernando Garcia Miala, à Presidência da República de Angola foi apontada pelo antigo primeiro-ministro e ex-secretário-geral do MPLA, Marcolino Moco, como um dos fatores que reforçam a necessidade de o país aprofundar o processo de reconciliação nacional e discutir um possível “pacto de transição” política.
Numa reflexão pública, Marcolino Moco observa que o nome do general Miala tem sido mencionado em alguns círculos como potencial sucessor do actual Presidente da República, João Lourenço. O antigo governante critica o que descreve como um sistema de candidaturas “por ajuste directo”, expressão que utiliza para ilustrar processos políticos que, no seu entendimento, carecem de maior abertura e debate público.
Moco refere ainda que muitos jovens questionam por que razão Angola continua a falar de reconciliação nacional ou de um pacto de transição, apontando exemplos de países como Portugal, França e Estados Unidos, onde tais debates não fazem parte do discurso político corrente. Para o antigo primeiro-ministro, a história recente de Angola, marcada por décadas de conflito e tensões políticas, exige mecanismos próprios para consolidar a confiança institucional.
Na mesma análise, o antigo dirigente do MPLA menciona acusações públicas feitas por Miguel Ângelo contra o general Fernando Miala, observando que tais declarações não tiveram esclarecimentos oficiais por parte das autoridades competentes. Segundo Moco, o silêncio institucional perante alegações graves contribui para um ambiente de receio na sociedade.
O ex-primeiro-ministro recorda também intervenções anteriores de figuras históricas da política angolana, como Lopo do Nascimento, para sublinhar que o país poderá necessitar de um compromisso político mais amplo que permita consolidar a paz alcançada após o fim da guerra civil em 2002 e garantir um clima político sem medo.
Para Marcolino Moco, o aprofundamento da reconciliação nacional e a construção de um pacto político inclusivo seriam passos importantes para fortalecer a democracia angolana e assegurar que eventuais transições de poder ocorram com estabilidade e confiança entre os diferentes actores políticos e institucionais.


