PR defende investimento em infra-estruturas de saúde e formação de profissionais

Luanda - O Presidente da República, João Lourenço, defendeu, esta segunda-feira, em Sevilha (Espanha), a necessidade de mais investimentos em infra-estruturas de saúde, formação de profissionais e aumento da capacidade de produção de medicamentos e vacinas.
João Lourenço, que falava num painel sobre “Uma mudança de paradigma para soluções lideradas pelos países para os desafios do nosso tempo”, sublinhou que o investimento soberano no sector da saúde é essencial para garantir o desenvolvimento económico e social sustentável dos países africanos.
O painel foi uma iniciativa dos Presidentes da França, Emanuel Macron, e do Kenya, Wlliam Routo, no quadro da quarta Conferência Internacional sobre Financiamento pra o Desenvolvimento, organizada pela ONU, em Sevilha, Espanha.
O Estadista angolano, que participou na conferência na sua qualidade de Presidente em exercício da Uniáo Africana, enfatizou que “para haver desenvolvimento é necessário investimento, capital, tecnologia e infra-estruturas, mas tudo isso só é possível se cuidarmos, em primeiro lugar, da pessoa humana”.
Sublinhou que saúde e bem-estar são pré-condições fundamentais para que os cidadãos contribuam para o progresso dos seus países, recordando que o continente africano enfrenta conflitos armados e instabilidade, assim como doenças endémicas e pandemias, citando, a título de exemplo, as graves dificuldades enfrentadas por África no acesso a vacinas, por altura da Covid-19.
Defendeu a necessidade de África trabalhar na construção de sistemas de saúde financiados de forma soberana e resilientes, alinhados às agendas da União Africana e da ONU.
Manifestou-se agradado com a realização da conferência, por buscar novas formas de investimento para o desenvolvimento económico e social dos países.
João Lourenço reconheceu que "a pessoa humana para estar em condições de contribuir para o desenvolvimento dos seus respectivos países, precisa de estar bem, alimentar-se bem e, o que é fundamental, ter saúde. Precisa de estar em condições de saúde, de ter garantida assistência médica e medicamentosa, para que possa desenvolver as suas capacidades".
O Presidente da União Africana salientou que África é um continente que tem cerca de 1,5 mil milhões de habitantes, que enfrenta um conjunto de desafios, a começar pelas guerras, conflitos armados, étnicos, religiosos, que impactam, de forma negativa, no desenvolvimento do continente.
Deu a conhecer que em Angola, nos últimos sete anos, o número de unidades hospitalares passou de duas mil 612 para cinco mil 958, tendo também aumentado em 46 por cento a força de trabalho no sector da saúde.
Revelou igualmente que o país está a implementar um plano de formação e especialização de cerca de 38 mil profissionais de saúde, até 2028.
Adiantou que este investimento tem sido financiado com recursos do Tesouro Nacional e créditos de instituições financeiras internacionais e da banca comercial, “muitas vezes em condições difíceis, mas necessárias, porque sem saúde não há desenvolvimento”, sublinhou.
João Lourenço reiterou o seu compromisso, enquanto Presidente em exercício da União Africana, com o fortalecimento do Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC - África), tendo adiantado que Angola contribuiu este ano com cinco milhões de dólares.
Concluiu apelando os países doadores e contribuintes do sistema das Nações Unidas para que aumentem os recursos destinados ao investimento em saúde pública, permitindo que os povos tenham acesso a cuidados adequados e possam ser agentes activos do desenvolvimento sustentável.


