O Presidente da República, João Lourenço, garantiu, hoje, que o Programa de Combate aos Efeitos da Seca no Sul de Angola (PCESSA) será executado na sua plenitude, apesar de reconhecer que os vários projectos previstos não podem ser realizados todos ao mesmo tempo.
A garantia foi dada neste Sábado, 5 de Setembro, no Cunene, durante uma declaração à imprensa, por ocasião da inauguração das barragens do Ndúe e de Calucuve.
Segundo o Chefe de Estado, a decisão de criar o programa surgiu em 2019, depois de uma deslocação à localidade de Ombala Yo Mungu, onde constatou as difíceis condições enfrentadas pela população, sobretudo no acesso à água.
“Desde o ano de 2019, altura em que percorremos algumas centenas de quilómetros por estrada até à localidade do Ombala Yo Mungu, onde tivemos a oportunidade de ver as difíceis condições em que a população vivia, nomeadamente no que diz respeito ao acesso à água, tomámos a decisão de conceber este vasto programa”, explicou.
João Lourenço disse que, dentro do programa, foi dada prioridade à província do Cunene, onde, há cerca de três anos, foi concluído o Canal do Cafu, que, segundo o Presidente, já está em funcionamento e ao serviço das populações.
A inauguração das barragens do Ndúe e de Calucuve representa, de acordo com o Presidente, mais uma etapa na execução do programa, que prevê igualmente intervenções nas províncias da Huíla e do Namibe.
“Não podemos fazer tudo ao mesmo tempo”, afirmou, acrescentando que os projectos previstos para as restantes províncias serão igualmente executados.
Questionado sobre a melhoria das vias de acesso às zonas onde foram construídas as barragens, João Lourenço reconheceu que ainda há muito por fazer.
“Com certeza que vamos melhorar a circulação, mas não existe capacidade para fazer tudo ao mesmo tempo e à mesma velocidade”, afirmou.
O Chefe de Estado explicou que os acessos serão melhorados e que poderão ser abertos novos, mas sublinhou que os projectos mais caros e demorados têm recebido maior atenção.
Além das estradas, João Lourenço apontou a necessidade de levar energia, escolas, serviços de saúde e investimentos empresariais às regiões abrangidas pelos projectos.
Para o Presidente, a disponibilização de água constitui um passo fundamental para o desenvolvimento destas comunidades, que anteriormente enfrentavam dificuldades no acesso a este recurso.
Sobre os conflitos entre agricultores e criadores de gado, João Lourenço considerou que uma parte significativa destes problemas está relacionada com a escassez de água.
Segundo o Presidente, as poucas fontes de abeberamento existentes antes da implementação dos projectos eram disputadas pelos criadores de gado, situação que contribuía para o surgimento de conflitos no Cunene, no Namibe e, de alguma forma, também na Huíla.
Combate à fome e à pobreza
No domínio do combate à fome e à pobreza, João Lourenço disse que o acesso à água constitui apenas uma das componentes das políticas públicas em curso.
O Presidente referiu que existem programas específicos de combate à fome e à pobreza, com verbas previstas no Orçamento Geral do Estado, defendendo que é necessário garantir a implementação efectiva das medidas previstas.



