As estratégias desenvolvidas pelo Executivo para aumentar o acesso à água no Sul do país vão contribuir para a redução dos conflitos de terras entre os criadores de gado nas províncias do Cunene, Namibe e Huíla, afirmou sábado, no Cuvelai, o Presidente da República, João Lourenço.
O Chefe de Estado falava após a inauguração da barragem do Calucuve e dos respectivos canais adutores, no Cunene, onde assegurou que, com a execução das novas infra-estruturas, haverá água em abundância para as populações e para o gado.
“Se nós aumentarmos este acesso, quer das pessoas, quer do gado, às fontes de água, com certeza que é lógico pensarmos que o conflito também se vai reduzir”, afirmou o Presidente da República, sublinhando que “uma grande parte dos conflitos de terras, sobretudo entre criadores de gado, tem como base a escassez de água.
Neste particular, esclareceu que as poucas fontes de abeberamento existentes no Cunene, Namibe e, em certa medida, na Huíla, eram fortemente disputadas pelos criadores de gado, situação que contribuía para o surgimento de conflitos.
Com o aumento do acesso das populações e dos animais às fontes de água, o Chefe de Estado acredita que os conflitos tendem a diminuir, garantindo que, com os novos projectos, haverá uma redução de disputas pelo acesso a este recurso.
O Presidente da República garantiu, igualmente, que o Programa de Combate aos Efeitos da Seca no Sul de Angola (PCESSA), orçado em cerca de 4,2 mil milhões de dólares, vai ser executado na sua plenitude nas províncias do Namibe e da Huíla.
A criação do projecto estratégico do Executivo angolano para garantir soluções hídricas sustentáveis no Sul de Angola surgiu, recordou o Presidente da República, em 2019, após uma deslocação às localidades de Ombala e Omungo, onde constatou as difíceis condições de vida da população, sobretudo no acesso à água.
Segundo o Presidente da República, o Cunene, com mais de um milhão de habitantes, foi definido como prioridade, tendo sido concluído, há cerca de três anos, o Canal do Cafu, actualmente ao serviço das populações.
“Do vasto programa, a prioridade tem sido o Cunene. Todos aqueles projectos, que estão concebidos para as províncias do Namibe e Huíla, serão obviamente executados”, assegurou.
Além de garantirem a segurança hídrica na região Sul, as barragens do Calucuve e do Ndue, cujas comportas foram abertas ontem, têm como objectivo impulsionar a transformação económica e produtiva da região, abrindo espaço para a atracção de fortes investimentos privados.Neste contexto, o Titular do Poder Executivo reconhece existir ainda muito por fazer nas regiões abrangidas pelos novos empreendimentos, nomeadamente nos domínios dos acessos, energia, educação e saúde.
O Presidente da República esclareceu que não existe capacidade para realizar todos os investimentos ao mesmo tempo e à mesma velocidade, garantindo, entretanto, a melhoria dos acessos e abertura de novas vias.
A disponibilidade de água, continuou, representa o primeiro passo para o desenvolvimento destas regiões. “Hoje, têm o bem que é mais essencial, que é a água. Todos os outros bens vêm de seguida”, sublinhou o Presidente João Lourenço.
Combate à fome e à pobreza
Relativamente aos programas de combate à fome e à pobreza, o Presidente da República afirmou que o acesso à água constitui uma das componentes fundamentais para melhorar as condições de vida das populações.
João Lourenço sublinhou a existência de outros programas implementados pelo Governo Central, governos provinciais e pelas administrações municipais, com valores cabimentados no Orçamento Geral do Estado. “O que temos que fazer é, sobretudo, fazer com que o que está concebido não fique apenas no papel, mas seja implementado para, gradualmente, irmos reduzindo a taxa de pobreza existente no nosso país”, defendeu o Chefe de Estado.
Canal do Cafu pode chegar até ao território da Namíbia
João Lourenço avançou, ainda, que os Governos angolano e namibiano trabalham na possibilidade de estender o Canal do Cafu ao território da Namíbia, tendo em conta que a extremidade da infra-estrutura se encontra a menos de 30 quilómetros da fronteira entre os dois países.
Durante o encontro com os jornalistas, o Chefe de Estado referiu-se, igualmente, à presença do Presidente da República Democrática do Congo, Félix Tshisekedi, bem como do embaixador de Angola na Namíbia, entre outras individualidades.
Neste sentido, defendeu ser compreensível a participação das autoridades namibianas, tendo em conta as características semelhantes entre o Sul de Angola e parte do território daquele país, ambas regiões afectadas por períodos de seca severa.
Ao encontrar soluções estruturais para minimizar o impacto da seca e o sofrimento das populações através da construção de grandes infra-estruturas de retenção e distribuição de água, Angola assume uma posição de destaque no cenário regional.
De acordo com o Chefe de Estado, o sucesso na implementação de projectos como o Canal do Cafu e as barragens do Ndue e do Calucuve demonstra a viabilidade de engenharia e a vontade política do país em resolver crises climáticas severas.




