O Presidente da República, João Lourenço, defendeu, sábado, em New Alamein, no Egipto, o reforço da capacidade institucional e financeira da Agência de Desenvolvimento da União Africana (AUDA-NEPAD), para que a instituição esteja mais bem preparada para responder às prioridades do continente e transformar os seus programas em resultados concretos.
Ao discursar na sessão de abertura da Cimeira dos Membros Fundadores da NEPAD, que assinala os 25 anos da criação da iniciativa, o Chefe de Estado destacou a necessidade de os países africanos assumirem maior responsabilidade no financiamento da Agência, através de contribuições voluntárias que garantam recursos previsíveis para a execução dos projectos de desenvolvimento.
Na qualidade de Presidente do Comité de Orientação dos Chefes de Estado e de Governo da AUDA-NEPAD, João Lourenço considerou que o encontro de New Alamein deve representar um ponto de viragem para a instituição, com a definição de recomendações e medidas concretas destinadas a torná-la mais ágil, eficiente e dotada de ferramentas adequadas ao cumprimento do seu mandato.
O Estadista angolano sublinhou que a responsabilidade de África pelo seu próprio desenvolvimento, princípio que esteve na origem da NEPAD, em 2001, deve continuar a reflectir-se na forma como os Estados apoiam e financiam as instituições continentais.
Neste sentido, apelou aos países signatários da Nova Parceria para o Desenvolvimento de África a seguirem o exemplo de Angola, que disse ter concedido, no ano passado, uma contribuição financeira voluntária à AUDA-NEPAD, com vista ao reforço da capacidade de intervenção da Agência.
João Lourenço enalteceu os progressos alcançados pela instituição nos últimos anos. O Chefe de Estado destacou, em particular, a expansão dos programas de apoio aos Estados-membros, a eficiência na estruturação de projectos e a capacidade de captar investimentos para sectores estratégicos — com ênfase em infra-estruturas, saúde, industrialização, sistemas alimentares e integração regional.
O Presidente da República destacou, ainda, a importância da conjugação da liderança política com a capacidade técnica da AUDA-NEPAD, apontando a Cimeira de Luanda sobre o Financiamento para o Desenvolvimento de Infra-estruturas em África como exemplo de uma iniciativa que permitiu reunir governos, instituições financeiras, investidores e o sector privado em torno da mobilização de recursos para projectos estratégicos.
O Estadista angolano referiu, a propósito, o Corredor do Lobito e outros corredores regionais como infra-estruturas fundamentais para melhorar a conectividade, dinamizar o comércio, fortalecer as cadeias de valor e impulsionar a integração económica africana.
Angola pode ter uma agência da AUDA-NEPAD
O Presidente da República anunciou, por outro lado, que Angola trabalha com a AUDA-NEPAD para estabelecer uma representação da Agência no país, no quadro do esforço para aproximar a instituição dos Estados-membros e facilitar a implementação nacional das decisões continentais.
João Lourenço aproveitou a ocasião para sugerir o reforço da coordenação entre a Comissão da União Africana, a AUDA-NEPAD, as Comunidades Económicas Regionais e os Estados-membros, de modo a assegurar uma actuação complementar e orientada para os objectivos da Agenda 2063.
Os 25 anos de percurso da NEPAD, observou o Estadista angolano, devem constituir uma oportunidade para renovar o compromisso dos líderes africanos com a instituição e assegurar os meios necessários para que a Agência cumpra, de forma plena, a sua missão nos próximos 25 anos.




