Luanda – O Presidente da República, João Lourenço, desloca-se sexta-feira à província do Cunene, onde, entre outras actividades, inaugura, no sábado, as barragens do Ndúe e do Calucuve, dois empreendimentos estratégicos para o combate aos efeitos da seca no Sul de Angola.
Luanda – O Presidente da República, João Lourenço, desloca-se sexta-feira à província do Cunene, onde, entre outras actividades, inaugura, no sábado, as barragens do Ndúe e do Calucuve, dois empreendimentos estratégicos para o combate aos efeitos da seca no Sul de Angola.
As duas infra-estruturas foram concebidas para reforçar a disponibilidade de água e contribuir para a melhoria das condições de vida das populações afectadas pela seca na região.
De acordo com o secretário do Presidente da República para os Assuntos de Comunicação Institucional e Imprensa, Luís Fernando, os actos inaugurais vão contar com a presença do Presidente da República Democrática do Congo, Félix Tshisekedi, na qualidade de convidado especial.
Entretanto, no primeiro dia da visita, o Chefe de Estado inaugura uma infra-estrutura destinada à juventude, iniciativa da Fundação Ngana Zenza para o Desenvolvimento Comunitário, que tem como patrona e principal dinamizadora a Primeira-Dama da República, Ana Dias Lourenço.
No final da tarde de sábado, o Presidente congolês regressa a Kinshasa, enquanto João Lourenço parte para Luanda, após concluir a jornada de trabalho no Cunene
Para o Executivo angolano, a inauguração das barragens não se trata somente de disponibilizar mais água na região, mas também de levar o desenvolvimento socioeconómico e dinamizar a economia nesta parcela do país, com criação de oportunidades, geração de empregos e mitigação de doenças de origem hídrica, entre outros benefícios.
A Barragem do Ndúe, localizada na bacia hídrica do rio Cuvelai, possui 32,80 metros de altura e 1500 de comprimento, uma rede de canais adutores de 75 quilómetros e 15 chimpacas (reservatórios artificiais de água), passando pelos municípios do Cuvelai, de Chissuata e de Cafima.
Está implantada numa área de 17,14 quilómetros quadrados, com possibilidade de armazenar 170 milhões de metros cúbicos de água.
Ao custo de 192 milhões de dólares americanos, a barragem foi construída em cinco anos e vai garantir o abastecimento de água a 55 mil habitantes, 60 mil cabeças de gado, bem como irrigar uma área de 9200 hectares.
Já a do Calucuve, com 31,60 metros de altura e 2184 de comprimento, possui uma albufeira de 141 milhões de metros cúbicos, com um canal adutor de 240 quilómetros e 22 chimpacas.
Está associada a uma rede de canais, com uma extensão de 111 quilómetros e mais 22 chimpacas no traçado Calucuve/Ondjiva, num projecto que teve um investimento de 177 milhões de dólares, para abastecer água a mais de 80 mil pessoas e perto do 200 mil cabeças de gado.
No Calucuve foram abertos 28 quilómetros de estradas rurais que darão lugar a milhares de hectares e lotes a serem distribuídos à população interessada a desenvolver a prática da agro-pecuária.
No âmbito do Programa de Combate aos Efeitos da Seca no Sul de Angola (PCESSA, foi inaugurado, em 2022, o Sistema de Transferência de Caudais no Cafu, que garantiu o acesso à água a 235 mil pessoas e 250 mil animais bem como a irrigação de cinco mil hectares de campos agrícolas.
Avaliado em 44 mil milhões, 358 milhões e 360 mil 651 kwanzas, o canal adutor estende-se por 165 km ao longo dos quais foram construídas 30 chimpacas, enquanto locais para abeberamento do gado, com capacidade para 30 milhões de litros cada.
Ainda no âmbito do PCESSA, está em curso, na margem direita do rio Cunene, a construção da barragem do Hita Hita, anteriormente designada por Cova do Leão, localizada na Cahama, para beneficiar também os municípios do Chitado e do Curoca.
Trata-se de uma barragem mista (betão e aterro) com 34,5 metros de altura, 840 de comprimento, e projectada para armazenar 58,6 milhões de metros cúbicos de água e beneficiar 52 mil e 186 habitantes e 27 mil e 700 cabeças de gado.
A empreitada, orçada em 126 milhões de dólares, tem a conclusão prevista para Julho de 2027 e inclui a construção de uma conduta de 98 quilómetros para beneficiar as populações dos municípios da Cahama e Curoca, dos mais afectados pela seca.
Com um universo de um milhão 806 mil e 417 habitantes, a divisão político-administrativa da província do Cunene compreende 273 aldeias, 10 comunas e 14 municípios (Cuanhama, Cahama, Cuvelai, Curoca, Cafima, Chissuata, Chiedi, Chitado, Humbe, Namacunde, Naulila, Nehone, Mupa e Ombadja). AFL/ART




