Prevenção de conflitos e promoção da paz são discutidas em Luanda

A cidade de Luanda reúne, hoje e amanhã, Chefes de Estado, representantes de organizações internacionais, líderes religiosos, jovens e mulheres para um debate sobre mecanismos de prevenção de conflitos e promoção da paz, culminando com a aprovação da Declaração de Luanda.
O evento, a decorrer no Salão Protocolar da Presidência da República, pretende traçar caminhos que conduzam à prevenção de conflitos e ao reforço da convivência pacífica entre os povos. O ministro de Estado e chefe da Casa Civil do Presidente da República, Dionísio da Fonseca, explicou ontem, em conferência de imprensa, que o acolhimento do evento em Angola representa o reconhecimento da experiência do país no domínio da resolução de conflitos, reconciliação nacional e da reconstrução do Estado no pós guerra. O governante lembrou que Angola viveu um longo período de guerra após a proclamação da Independência Nacional, a 11 de Novembro de 1975, tendo alcançado a paz definitiva apenas a 4 de Abril de 2002. Neste caso particular, Dio- nísio da Fonseca afirmou que a experiência permite a Angola partilhar conhecimentos sobre os caminhos para o fim dos conflitos armados. O ministro de Estado explicou ainda que foi neste contexto que o Presidente da República, João Lourenço, na qualidade de Campeão da União Africana para a Paz e Reconciliação em África, aceitou o convite formulado pela Aliança das Civilizações das Nações Unidas para que Angola acolhesse a terceira edição da iniciativa. Durante a conferência de imprensa, Dionísio da Fonseca destacou que Angola pretende aproveitar o encontro para partilhar com o mundo o seu percurso de pacificação e reconstrução nacional, considerando que “a experiência angolana demonstra que a paz constitui o principal alicerce do desenvolvimento”. O governante salientou que os conflitos armados, independentemente da região onde ocorram, produzem impactos à escala mundial, afectando as cadeias de abastecimento, os preços das matérias-primas e o crescimento económico. “Vivemos num mundo globalizado. Uma guerra no Médio Oriente, na Ásia ou na Europa produz consequências para todos. Os preços das commodities aumentam, o petróleo sofre oscilações e as economias ressentem-se. Por isso, defender a paz é defender também o desenvolvimento”, afirmou. Referiu que a estabilidade continua a ser a principal prioridade do Executivo angolano, por constituir o pressuposto essencial para atrair investimento, garantir o crescimento económico e assegurar o desenvolvimento equilibrado e harmonioso em todo o território nacional. Experiência no processo de pacificação de conflitosO ministro de Estado avançou que o primeiro dia do evento será dedicado à apresentação da experiência angolana no processo de pacificação. Ainda no contexto do programa, Dionísio da Fonseca sublinhou que as actividades iniciam-se com a deposição de uma coroa de flores no Monumento ao Soldado Desconhecido, cerimónia junto ao Sino da Paz Mundial, e uma visita ao Museu Nacional de História Militar. De acordo com o ministro de Estado e chefe da Casa Civil do Presidente da República, durante a tarde realiza-se a sessão solene de abertura da Cimeira, reservada aos Chefes de Estado e de Governo convidados, bem como a representantes de organizações internacionais. Segundo Dionísio da Fonseca, estão previstas intervenções do Presidente da República, João Lourenço, do presidente da Comissão da União Africana, Mahmoud Ali Youssouf, e do Alto Representante da Aliança das Civilizações das Nações Unidas, Miguel Ángel Moratinos, que transmitirá uma mensagem do Secretário-Geral da ONU, António Guterres. O segundo dia de trabalhos será dedicado aos painéis temáticos, centrados no papel dos líderes religiosos, da juventude e das mulheres na prevenção de conflitos e na promoção da paz. Segundo o governante, para o Executivo angolano e para a UNAOC, estes segmentos da sociedade desempenham um papel determinante na consolidação da estabilidade, da convivência pacífica e do diálogo entre os povos. Declaração de LuandaDionísio da Fonseca afirmou que o encerramento do evento será marcado pela aprovação da Declaração de Luanda. O documento vai reunir as principais conclusões da Cimeira e constituirá um apelo global à comunidade internacional para a promoção da paz, da convivência pacífica entre os Estados e do estrito respeito pelo Direito Internacional. A declaração vai procurar sensibilizar as grandes potências mundiais para a necessidade de preservar a vida humana, prevenir novos conflitos e reforçar os mecanismos de cooperação internacional. “O nosso grande objectivo é salvar a humanidade dos conflitos que persistem em várias partes do mundo e promover relações cada vez mais harmoniosas entre os povos”, afirmou. Participação internacionalPaíses africanos confirmaram presença na conferência, alguns ao nível de Chefes de Estado e outros se vão fazer representar por ministros, embaixadores ou altos funcionários. Na ocasião, o ministro de Estado e chefe da Casa Civil do Presidente da República, Dionísio da Fonseca, anunciou que já está confirmada a presença de várias individualidades internacionais, entre Chefes de Estado, antigos estadistas, representantes de organizações internacionais e especialistas. “Entre as presenças confirmadas, destacam-se o Presidente da República Democrática do Congo, Félix Tshisekedi, o Primeiro-Ministro da Namíbia, Elijah Ngurare, a antiga Presidente da Libéria e Prémio Nobel da Paz, Ellen Johnson Sirleaf, e a antiga Presidente de transição da República Centro-Africana, Catherine Samba-Panza”, disse.


