República Centro-Africana agradece apoio de Angola para pacificação do país

A República Centro-Africana (RCA) enalteceu, quarta-feira, todo o apoio recebido de Angola para a estabilidade daquele país, localizado no Centro do continente africano.
O reconhecimento foi expresso, em Luanda, pelo ministro das Finanças daquele país, no fim da audiência que lhe foi concedida pelo Presidente da República, João Lourenço, no Palácio da Cidade Alta.
Hervé Ndoba, que se deslocou a Luanda na qualidade de enviado especial de Faustin-Archange Touadéra para entregar uma mensagem ao homólogo João Lourenço, referiu que o Roteiro de Luanda abriu caminhos para que a RCA conhecesse a paz e a estabilidade que desfruta hoje. "Vimos, por isso, dizer a Sua Excelência o Presidente da República de Angola os passos a seguir ao Roteiro de Luanda e de como serão, de facto, implementados", ressaltou o enviado especial.
Hervé Ndoba informou, por outro lado, que o encontro permitiu reportar ao Estadista angolano outras situações relacionadas com a RCA, no quadro do que chamou de relações seculares de amizade e de fraternidade existentes entre os dois países.
"Aproveitamos, também, a oportunidade, porque o Presidente da República de Angola agora tem duas funções. É Presidente de Angola, mas, também, é o nosso Presidente da União Africana. Nas vestes de Presidente da União Africana, nós, os Estados-membros, temos essa necessidade de reportá-lo sobre os avanços das nossas situações internas", acentuou.
Hervé Ndoba fez saber que o actual quadro de estabilidade da RCA vai a par com a de segurança. "Como eu disse, foi um trabalho muito aturado em termos de segurança, que nos trouxe uma estabilidade política", aclarou.
Neste momento, prosseguiu o enviado especial de Touadéra a Luanda, a República Centro-Africana vive uma estabilidade política e de segurança "muito boa", tendo, a título de exemplo, informado que o país vai realizar, no fim deste ano, eleições locais e gerais.
O ministro disse que a expectativa da população centro-africana é que essas duas eleições se transformem em verdadeiros momentos de festa, tendo em conta a tendência de estabilidade que o país já leva.
A estabilidade política e militar, disse, estão a permitir à República Centro-Africana avançar para a estabilidade económica, com vista ao desenvolvimento do país. No quadro do desenvolvimento que se pretende para a RCA, o enviado especial de Touadéra a Luanda disse ter sido elaborado um Plano Nacional de Desenvolvimento 2024-2028, que visa, exactamente, o progresso do país.
A República Centro-Africana atravessou um mau momento político, agravado, sobretudo, depois do anúncio dos resultados das eleições presidenciais e legislativas que reconduziram Faustin Touadéra ao poder.
Dez candidatos que participaram na corrida presidencial rejeitaram os resultados e exigiram a anulação dos resultados e a retoma total do processo eleitoral.
Os candidatos da oposição alegaram "numerosas irregularidades que, no seu entender, marcaram as eleições”. Entretanto, o Tribunal Constitucional da República Centro-Africana validou a reeleição de Faustin-Archange Touadéra, na primeira volta, com 53,16 por cento dos votos, rejeitando, deste modo, os recursos dos opositores, que alegavam "fraude eleitoral generalizada".
A União Africana (UA), União Europeia (UE), Organização das Nações Unidas (ONU) e a Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEEAC) elogiaram, através de uma declaração conjunta, a determinação dos centros africanos em exercer o direito de voto, apesar dos muitos obstáculos.
No âmbito das acções viradas para uma África mais pacífica, o Presidente João Lourenço desencadeou, na qualidade de presidente da Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos (CIRGL), várias actividades, com destaque para a realização de cimeiras em Luanda, com o objectivo de ajudar a RCA a ultrapassar o mau momento político que vivia.



