Os restos mortais do juiz conselheiro do Tribunal Constitucional (TC) Victorino Hossi, foram, sábado, a enterrar no Cemitério de Sant'Ana, em Luanda, numa cerimónia que reuniu familiares, magistrados, colegas, amigos e diversas personalidades.
Num momento de profunda dor e consternação pelo passamento físico do constitucionalista, foram inúmeras as mensagens de homenagem e reconhecimento, destacando o seu percurso profissional, dedicação à Justiça e os feitos alcançados ao longo da trajectória.
O programa do acto solene, realizado no Quartel General do Exército (ex-RI20), começou com uma missa de corpo presente celebrada pelo arcebispo de Luanda, Dom Filomeno Vieira Dias, seguido do momento de homenagens de várias instituições, com realce para o Conselho Superior da Magistratura Judicial (CSMJ) e Ministério da Indústria e Comércio, departamento ministerial no qual Victorino Hossi foi titular entre 1997 e 2004, no período do Governo de Unidade e Reconciliação Nacional (GURN).
Após as homenagens, a urna contendo os restos mortais do juiz seguiu para o "campo santo" de Sant'Ana, onde, acompanhada de entoação de cânticos, hinos de louvor e oração, desceu à sepultura sob o último adeus de familiares, amigos e colegas, que acompanharam Victorino Hossi até à última morada.
O CSMJ, na sua mensagem de homenagem, considerou que o país, em particular a Justiça, perdeu um dos seus mais dignos servidores e um jurista de formação sólida e de espírito elevado.
"A sua passagem pela magistratura constitucional, iniciada em Janeiro de 2023, foi marcada pela independência de juízo, pela sobriedade de conduta e por uma profunda fidelidade aos valores da Constituição. Não foi apenas um juiz, foi um homem que compreendeu que a função de julgar a constitucionalidade das leis é, em última análise, a função de preservar a própria arquitectura da liberdade e da dignidade humana", cita o documento.
Por seu turno, o Ministério da Indústria e Comércio destacou que a partida prematura de Victorino Hossi constitui uma perda "irreparável" pelo facto de estar ligado à história de uma instituição cuja missão continua a ser a promoção da produção nacional, o desenvolvimento da indústria e a dinamização do comércio.
"Hoje, mais do que recordar o cargo que ocupou, importa reconhecer a pessoa, o servidor público e o legado institucional que deixa às gerações que continuam a trabalhar em prol do desenvolvimento económico do país", lê-se na mensagem.
Passagem pela UNITA marcada pela liberdade e justiça
Na ocasião, a vice-presidente da UNITA, Arlete Chimbinda, referiu que a história do partido do "Galo Negro" e da transição democrática também encontra o nome de Victorino Hossi, onde a sua passagem foi marcada por uma dedicação à causa da liberdade e da justiça social.
A dirigente política sublinhou que foi essa visão estruturada, aliada ao profundo domínio do direito, que o guiaram até aos bastidores dos acordos de Bicesse em 1991, tendo desempenhado um papel importante na busca dos consensos que permitiram silenciar as armas e abrir as portas ao multipartidarismo.
"Choramos hoje o homem de leis, mas choramos sobretudo o patriota que colocou a sua inteligência ao serviço do nascimento e da consolidação do Estado Democrático e de Direito em Angola", declarou.




